Pensar a História
Pensar a História

@historia_pensar

27 Tweets 11 reads Sep 10, 2022
Elizabeth II, rainha do Reino Unido, inspeciona os lingotes de ouro na caixa-forte do Banco da Inglaterra. Elizabeth II foi responsável pelo mais longevo reinado da história do Reino Unido, ocupando o trono por 70 anos, de 1952 até seu falecimento em 2022.
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Elizabeth II pertencia à Casa de Windsor, ramo britânico dos Saxe-Coburgo-Gota, cujas origens remontam à Dinastia de Wessex. Vinha, portanto, de uma linhagem que se mantém no poder há mais de 1200 anos e 37 gerações, desde o reinado de Alfredo, o Grande, no século IX.
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Dos ramos dessa linhagem descendem monarcas que governaram territórios da Irlanda, Dinamarca, Noruega, Bulgária, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Rússia, França, Espanha, Portugal e até mesmo o ramo brasileiro de Saxe-Coburgo e Bragança.
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As casas reais britânicas e suas linhagens foram responsáveis por moldar boa parte do mundo atual, tendo exercido papel fundamental na consolidação do capitalismo e das bases do liberalismo econômico.
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O Império Britânico foi o maior império da história, controlando quase um quarto de todas as terras do planeta e ocupando por séculos o posto de potência hegemônica do mundo. Suas colônias, submetidas a regimes brutais de exploração, se estendiam por todos os continentes.
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O Império Britânico foi agente central dos maiores genocídios e atrocidades cometidos sob a égide do colonialismo e do imperialismo. Somente entre 1780 e 1820, estima-se que o império tenha matado mais de 150 milhões de pessoas em suas colônias na Ásia, África e no Caribe.
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Na América do Norte, o Império Britânico conduziu um dos maiores genocídios da história, ceifando a vida de mais de 20 milhões de nativos e exterminando parte substancial das culturas indígenas do continente.
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O Império Britânico controlou por séculos o comércio transatlântico de escravos, submetendo 3,5 milhões de africanos à escravidão — e matando outros milhões. Os britânicos estabeleceram um dos mais violentos regimes coloniais da África, dizimando diversos grupos étnicos.
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Inúmeros genocídios e massacres foram perpetrados pela monarquia inglesa na Ásia. Crises famélicas deliberadas no subcontinente indiano mataram milhões de civis. O escritor indiano Sashi Tharoor estima em 35 milhões o número de indianos mortos pelo Império Britânico.
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Dos genocídios dos nativos, passando pela escravidão até chegar ao financiamento de ditaduras e regimes fascistas e às guerras promovidas por interesses econômicos, a lista de crimes do império só encontra paralelo no volume de riquezas espoliadas ao longo dos séculos.
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Desde o advento da Revolução Gloriosa, quando o absolutista Jaime II foi derrotado, o poder dos monarcas britânicos é compartilhado com o parlamento. A realeza britânica, entretanto, segue desfrutando da gigantesca riqueza edificada ao longo de séculos de exploração.
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O patrimônio pessoal da família real é estimado em 360 milhões de libras esterlinas — mais de dois bilhões de reais. Esse valor não engloba os Domínios Reais, o conjunto de terras e propriedades da monarquia, estimado em 15,2 bilhões de libras (91,2 bilhões de reais).
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Esse valor aumenta anualmente graças às subvenções milionárias pagas pelos contribuintes britânicos para sustentar a vida de luxo dos monarcas e os banquetes, festas e cerimônias organizados em seus mais de 20 palácios, castelos e solares reais.
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As críticas à parasitagem da família real e ao sangrento legado do Império Britânico, entretanto, tendem a ser eclipsadas pela cobertura acrítica e pela glamourização e exaltação da monarquia britânica pela mídia e pela indústria do entretenimento.
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Filmes e séries reescrevem a história apagando as atrocidades do Império Britânico, ao passo que a imprensa trata a conduta dos monarcas com generosa condescendência, preferindo falar sobre futilidades e vestidos do que inquirir sobre crimes financeiros e apoio a ditadores
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Ao longo de seus 70 anos de reinado, Elizabeth II jamais reconheceu os crimes do Império Britânico. A monarca nunca sequer admitiu a responsabilidade do Reino Unido pelo comércio de escravos ou pelas de atrocidades cometidas contra os povos autóctones das colônias.
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Ao contrário: o reinado de Elizabeth serviu para dissimular os crimes do império, conferindo uma face pomposa e civilizada à monarquia, ao passo que as guerras, a exploração colonial e as intervenções imperialistas prosseguiam, porém vinculadas à imagem do parlamento.
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Quando Elizabeth II assumiu o trono, o Reino Unido ainda possuía colônias como Uganda, Quênia, Kuwait, Nigéria e Bahamas. Durante seu reinado, movimentos independentistas africanos foram brutalmente reprimidos e lideranças anticoloniais foram assassinadas.
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Foram as tropas de Elizabeth II que mergulharam o Quênia em um banho de sangue nos anos 50, quando os soldados britânicos reprimiram o Levante dos Mau-Mau. Mais de 100 mil pessoas foram assassinadas e 320 mil quenianos foram confinados em campos de concentração.
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No Protetorado de Áden (futuramente Iêmen do Sul), Elizabeth II estabeleceu um nefasto regime segregacionista que dava aos britânicos fartas regalias, ao mesmo tempo em que relegava o povo iemenita nativo à condição de pária em seu próprio país.
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Em 1963, quando o povo iemenita iniciou um levante contra o domínio britânico, a rainha ordenou aos soldados que reprimissem impiedosamente os rebeldes. Os dissidentes que sobreviveram às investidas imperiais foram condenados ao exílio no deserto.
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Elizabeth II passou décadas tentando resistir violentamente à decadência do império colonial britânico. Em 1956, aliou-se à França e a Israel para invadir o Egito e tentar tomar o controle do Canal de Suez.
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Durante a Guerra Fria, Elizabeth II apoiou as ditaduras militares latino-americanas a intervenção dos EUA na região. Em novembro de 1968, em sua única vista ao Brasil, a monarca brindou ao governo de Costa e Silva, 2º presidente da ditadura militar e promulgador do AI-5.
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O reinado de Elizabeth II também foi marcado por episódios que evocam os vínculos da família com as ideologias racistas e a promoção da eugenia e da supremacia branca. Em seu reinado, imigrantes e minorias étnicas foram proibidos de exercer funções administrativas.
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A má vontade da realeza com a princesa Diana, a fria indiferença de Elizabeth II diante da morte trágica da nora e os episódios de racismo contra Meghan Markle, esposa de Harry, reforçam a impressão de uma cultura de racismo e elitismo entranhada na família real.
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Mas, à exceção de eventuais polêmicas lucrativas, a mídia seguirá ignorando os esqueletos no armário da realeza. Continuará elogiando a opulência do Palácio de Kensington, sem mencionar que foi construído com dinheiro do comércio de escravos pela Royal African Company...
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... e exaltará a beleza das Joias da Coroa, sem jamais explicar a origem do exuberante diamante Koh-i-Noor, tesouro milenar pilhado da Índia, ou do precioso Diamante Cullinan, a "Grande Estrela da África", roubado da África do Sul em 1905.
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