Pensar a História
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@historia_pensar

18 Tweets 4 reads Feb 01, 2023
No Brasil, 31 de outubro é a data em que celebramos o Dia do Saci. A comemoração foi proposta em 2003 por Chico Alencar e Ângela Guadagnin, autores do projeto de lei nº. 2.762.
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Diversas cidades e estados aprovaram leis endossando a data comemorativa, que tem como objetivo resgatar as figuras do folclore brasileiro e valorizar a cultura nacional — estabelecendo um contraponto à influência estrangeira das celebrações anglo-saxônicas do Halloween.
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Conforme o historiador Câmara Cascudo, a lenda do saci surgiu no fim século XVIII, em meio às comunidades indígenas que viviam na Região das Missões, no Sul do Brasil. O mito é conhecido por vários nomes: saci-pererê, saci-saçurá, saci-trique, matita perê, etc.
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A denominação deriva do tupi antigo — "çaa cy" quer dizer "olho ruim", e "perereg" significa "saltitante". A lenda do saci é presumidamente tributária das entidades protetoras da floresta existentes nas mitologias guarani e caingangue, tais como Jaci Jaterê e Kambaí.
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Jaci Jaterê é um dos personagens centrais da cosmologia guarani. É um dos 7 filhos de Tau e Kerana, a quem se atribui o papel de protetor da erva-mate e dos tesouros escondidos. Kambaí, por sua vez, era um guerreiro tutelado pelos deuses que zelava pelas matas.
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À medida em que a lenda do saci se espalhou pelo Brasil, sua figura passou a agregar elementos provenientes de outras culturas, sobretudo dos escravos africanos.
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Aos poucos, o saci passou a ser associado a Aroni — divindade vinculada ao orixá Ossain, "encantador das folhas" e senhor das poções mágicas. Aroni era frequentemente representado como um jovem negro de baixa estatura e uma só perna, características que emprestou ao saci.
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Os escravos africanos muçulmanos também contribuíram para modificar a lenda, adaptando elementos da história de Aladim e do gênio de "As Mil e Uma Noites" — nomeadamente o conceito de aprisionar o saci em uma garrafa e forçá-lo a conceder desejos em troca da liberdade.
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O gorro vermelho do saci, por sua vez, provavelmente deriva do lendário trasgo, ser encantado do folclore português. Os trasgos são almas penadas que usam um barrete vermelho com propriedades mágicas e se divertem fazendo travessuras.
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A figura fantástica do saci se consolida a partir da fusão de todas essas influências ao longo do século XIX. A entidade passa então a ser representada como um jovem negro de uma só perna que fuma cachimbo e usa um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos.
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É o protetor das florestas e guardião das ervas e das plantas medicinais. Em algumas versões regionais, o saci é representado como uma criatura maléfica, mas geralmente é retratado como uma figura alegre e brincalhona, que se limita a fazer pequenas travessuras.
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O saci gosta de assustar os viajantes noturnos com assovios agudos e barulhos estridentes. Incomoda os cavalos, trançando suas crinas durante a noite.
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Invade as casas para criar dificuldades domésticas, queimando ou azedando as comidas, fazendo desaparecer objetos e pregando peças em seus moradores. Também possui a capacidade de desaparecer, ficar invisível ou de criar redemoinhos ao girar muito rapidamente.
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É nesse estado que o saci se torna vulnerável à captura, que pode ser realizada lançando uma peneira no meio do redemoinho. Após ser capturado, o saci deve ser aprisionado em uma garrafa e privado do seu gorro para impedir a sua fuga.
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A lenda do saci foi popularizada por Monteiro Lobato. Em 1917, o escritor empreendeu uma pesquisa sobre o mito do saci em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo, solicitando a colaboração dos leitores para identificar as diferentes versões sobre o personagem.
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Com base nas respostas do público, Monteiro Lobato lançou no ano seguinte a obra "O Saci-Pererê: resultado de um inquérito". Três anos depois, o autor voltou a tratar do personagem no livro "O Saci", integrante da série "Sítio do Picapau Amarelo".
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O saci também foi um dos personagens centrais da "Turma do Pererê", criada pelo cartunista Ziraldo em 1958, além de aparecer nas histórias da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
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Foi igualmente tema de diversas composições musicais de autores como Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone e Chiquinha Gonzaga, entre outros.
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