Pensar a História
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@historia_pensar

25 Tweets 12 reads Feb 01, 2023
Faleceu hoje, 9 de novembro de 2022, a cantora baiana Gal Costa. Ícone do Tropicalismo, consagrou-se como uma das maiores vozes da música popular brasileira, destacando-se pela potência da voz, timbre cristalino, afinação impecável e interpretação sensível.
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Gal Costa nasceu em Salvador, em 26/09/1945. Interessou-se pela música ainda na adolescência, cantando e tocando violão em eventos escolares. Admiradora de João Gilberto, viu-se atraída pela bossa nova ao trabalhar como balconista na principal loja de discos de Salvador.
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Em 1963, foi apresentada a Caetano Veloso por sua vizinha, Dedé Gadelha. No ano seguinte, estreou ao lado de Caetano, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Tom Zé no espetáculo "Nós, Por Exemplo", apresentado na inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador.
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Após se mudar para o RJ, participou da gravação do duo "Sol Negro" com Maria Bethânia. Em 1965, apresentou-se nos espetáculos "Arena Canta Bahia" e "Em Tempo de Guerra", dirigidos por Augusto Boal, e gravou seu 1º compacto, com as canções "Eu vim da Bahia" e "Sim, Foi Você"
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Tomou parte do I Festival Internacional da Canção, realizado em 1966, defendendo a canção "Minha Senhora". No ano seguinte, junto com Caetano, lançou o álbum "Domingo", evidenciando a forte influência de João Gilberto na emissão vocal.
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Ainda em 1967, integrou o III Festival de Música Popular Brasileira, com as canções "Bom Dia" e "Dadá Maria". Em 1968, Gal participou da gravação do álbum "Tropicalia ou Panis et Circencis", ao lado de Caetano, Gilberto Gil, Nara Leão, Tom Zé e da banda Os Mutantes.
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O disco se tornaria referência basilar do Tropicalismo — movimento que preconizava a adaptação das linguagens estrangeiras à realidade nacional, fundindo gêneros regionais com elementos do pop e do rock.
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Sua interpretação da faixa "Baby" a projetou nacionalmente, convertendo-se posteriormente em um clássico da música nacional. No mesmo ano, Gal participou do IV Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, obtendo o terceiro lugar com a canção "Divino Maravilhoso".
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Em 1969, lançou seus primeiros álbuns solo: "Gal Costa", coligindo seus principais sucessos até então, e "Gal", marcado pelo apelo pop, estética psicodélica e por interpretações mais enérgicas dos clássicos da Jovem Guarda.
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Com Caetano Veloso e Gilberto Gil exilados pela ditadura militar, Gal se converteu na principal representante do Tropicalismo. Em 1970, a cantora lançou o álbum "LeGal", contendo a faixa "London, London", composta por Caetano e versando sobre a experiência do exílio.
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Em 1971, lançou o álbum "Fa-tal — Gal a Todo Vapor", gravação de show dirigido por Waly Salomão. O disco combinava elementos acústicos com sonoridade elétrica e influência do rock, sendo marcado por gritos estridentes, evocando o cenário de agitação política.
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Em 1973, Gal lançou o disco "Índia". Famoso pela capa polêmica, com close na virilha e nos seios nus da cantora, o LP foi censurado pela ditadura. No ano seguinte, gravou o álbum "Cantar", onde atenuou a agressividade vocal e retornou à entoação límpida dos anos iniciais.
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Manteve entretanto sua postura irreverente e contestadora, desafiando o ambiente conservador do regime. Em 1975, gravou "Os Doces Bárbaros", ao lado de Gil, Caetano e Bethânia, e destacou-se pela interpretação de "Modinha para Gabriela", de Dorival Caymmi.
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Os álbuns seguintes ("Caras e Bocas", "Água Viva" e "Gal Tropical") consolidam o retorno à suavidade sonora da MPB, priorizando o timbre agudo e límpido. A cantora operou uma mudança visual, rompendo com a estética de "musa hippie" em favor de um figurino mais tradicional.
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Em 1980, gravou "Aquarela do Brasil", revisitando a obra de Ary Barroso, e no ano seguinte lançou o álbum "Fantasia", destacado pelo hit "Festa do Interior". Os álbuns "Minha Voz" e "Baby Gal" também se converteram em sucessos comerciais
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Gal integrou a montagem do espetáculo O Grande Circo Místico, do Balé Teatro Guaíra, participando de quase 200 apresentações. Nos 2 anos seguintes, a cantora gravou os álbuns "Profana" e "Bem Bom", emplacando canções como "Chuva de Prata","Sorte", "Um Dia de Domingo", etc.
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Gal participou do projeto "Nordeste Já", que visava angariar fundos para apoiar os flagelados da seca de 1979-84, que matou 3,5 milhões de pessoas. Em 1987, lançou o álbum "Lua de Mel Como o Diabo Gosta" e, ano seguinte, gravou o sucesso "Brasil".
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Nos anos 90, Gal retomou a parceria com Waly Salomão, gravando os discos "Plural" e "Gal". Em 1993, lançou "O Sorriso do Gato de Alice", produzido por Arto Lindsay, que serviu de base ao polêmico show dirigido por Geraldo Thomas.
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Em 1994, ao lado de Gil, Caetano e Bethânia, apresentou o show "Doces Bárbaros na Mangueira", celebrando o aniversário de 18 anos do álbum homônimo. No ano seguinte, gravou "Mina D'Água do Meu Canto", com composições de Chico Buarque e Caetano Veloso.
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As experimentações, homenagens e regravações se prolongaram nos anos noventa com "Acústico MTV", "Aquele Frevo Axé" e "Gal Costa Canta Tom Jobim". Em 2001, Gal se tornou a única cantora brasileira a ser incluída no Hall of Fame do Carnegie Hall.
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Lançou os álbuns "Bossa Tropical", "Todas as Coisas e Eu" e "Hoje", mesclando regravações e canções novas, e realizou uma temporada de shows em Nova York. Afastou-se dos palcos por alguns anos para cuidar do filho adotivo, Gabriel, resgatado em condições de miserabilidade.
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Em 2011, lançou o CD "Recanto", repleto de influências do funk carioca e da música eletrônica, premiado como melhor álbum de 2011. Gal realizou uma turnê em homenagem ao centenário de nascimento de Lupicínio Rodrigues em 2015.
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Nos anos seguintes, lançou novos álbuns, caracterizados pela experimentação musical, influxos de outros estilos (sobretudo o soul) e inovações vocais, com uma exploração sutil e inédita dos seus graves ("Estratosférica", "Trinca de Ases", "A Pele do Futuro").
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Em 2022, Gal apoiou a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, chegando a gravar vídeos para a campanha ao lado de outros artistas.
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A cantora pretendia celebrar os 57 anos de carreira no Festival Primavera Sound, mas cancelou a participação em função da necessidade de submeter a uma cirurgia para retirada de um nódulo. Faleceu alguns dias depois em São Paulo, aos 77 anos de idade.
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