Pensar a História
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@historia_pensar

25 Tweets 1 reads Nov 11, 2022
Uma turba de supremacistas brancos posa para foto em frente a uma propriedade vandalizada e incendiada de um cidadão afro-americano durante o Massacre de Wilmington, ocorrido na Carolina do Norte, Estados Unidos, há 124 anos, em 10 de novembro de 1898.
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Desde o início do século XIX, a cidade de Wilmington, na Carolina do Norte, era caracterizada por abrigar uma numerosa população negra, incluindo-se várias comunidades de negros livres e alforriados.
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Após a Guerra de Secessão e a subsequente abolição da escravatura, vários negros libertos saíram das fazendas e propriedades rurais da região e se mudaram para a cidade, onde acreditaram que iriam ter maior proteção em função da existência de comunidades negras.
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O influxo foi de tal ordem que Wilmington se converteu na maior cidade da Carolina do Norte. Na última década do séc, XIX, 55% dos habitantes da cidade eram negros. A comunidade negra de Wilmington prosperou e a cidade tornou-se uma das mais ricas do sudeste dos EUA.
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Wilmington possuía uma pujante classe média negra, composta por profissionais liberais, pequenos empresários e funcionários públicos que começaram a se destacar socialmente e a ocupar cargos políticos na cidade.
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Mais de 90% dos restaurantes e barbearias de Wilmington eram geridos por afro-americanos, bem como boa parte das mercearias, bares e alfaiatarias. Negros ocupavam postos de chefia na polícia e superintendências e parte dos assentos do legislativo municipal.
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A cidade servia até mesmo de sede à redação do "The Daily Record", então o único jornal do país gerido pela comunidade negra. O crescente poder econômico e político da comunidade negra de Wilmington despertou frustração e incômodo entre a população branca da cidade.
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Havia um forte receio em relação à perda de poder dos brancos e um ressentimento raivoso em relação ao fato dos negros serem proprietários de parte substancial do comércio e ocuparem cada vez mais cargos na gestão municipal.
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Aliados à Ku Klux Klan, os membros do Partido Democrata iniciaram uma forte de campanha de ódio direcionada contra a comunidade negra e chegaram a criar suas próprias organizações paramilitares supremacistas, chamadas "Red Shirts".
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Isso porque a maioria afro-americana mantinha a cidade há décadas sob poder do Partido Republicano, agremiação que à época permitia a filiação de negros e que havia liderado os esforços em prol da abolição da escravidão durante a Guerra de Secessão.
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A campanha de 1894 foi marcada por violência, ataques da imprensa e forte oposição dos Democratas e suas milícias supremacistas, então representantes dos fazendeiros e grandes proprietários brancos.
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Os representantes do Partido Republicano, entretanto, conseguiram se reeleger e se mantiveram no poder graças à aliança com o Partido Populista na Coligação Fusionista. Os quatro anos seguintes foram marcados pelo aumento da tensão racial em Wilmington.
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O ressentimento branco em relação à comunidade negra era tamanho que um grande jornal da capital federal, o Washington Post, publicou matéria assinada por Henry West afirmando que os negros não eram "cidadãos desejáveis".
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Cansados de perder as eleições, os brancos organizaram uma campanha de terror às vésperas do pleito municipal de 1898. Milícias armadas invadiram as casas dos negros, espancaram e chicotearam os moradores e os ameaçaram de morte caso comparecessem para votar.
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No dia da votação, turbas de supremacistas brancos armados se reuniram em frente às seções eleitorais para impedir os negros de depositarem seus votos nas urnas. Como resultado, os Democratas conquistaram todos os cargos eletivos.
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No dia seguinte, os brancos de Wilmington proclamaram a "Declaração Branca da Independência", onde afirmavam que nunca mais seriam "governados por homens de origem africana".
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O documento revogava os direitos políticos e civis dos cidadãos negros de Wilmington, incluindo o direito de votar, de concorrer a cargos eletivos ou mesmo de serem contratados para as vagas ofertadas pelo comércios e serviços locais.
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Os supremacistas percorreram toda a cidade, rua por rua, destruindo e incendiando as casas e comércios dos afro-americanos. Armados de pistolas e metralhadoras, atiravam contra os negros que achavam no caminho, matando centenas de pessoas.
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Uma multidão de supremacistas marchou até a prefeitura, forçando o prefeito republicano a renunciar. Com o golpe, o democrata Alfred Moore assumiu a prefeitura. Após tomarem o poder, os Democratas instituíram políticas segregacionistas derivadas das Leis Jim Crow.
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Como resultado do massacre, mais de 100 mil cidadãos negros fugiram da cidade, desarticulando completamente o poder político e econômico construído pelos afro-americanos nas décadas anteriores. As consequências foram além de Wilmington.
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Apenas dois anos após o golpe, o número de afro-americanos que haviam se registrado para votar na Carolina do Norte despencou de 126.000 para 6.100. Nenhum cidadão afro-americano voltou a ocupar um cargo público em Wilmington até 1972.
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Por sua vez, os partidos Republicano e Democrata, operariam um processo gradual de realinhamento e inversão de suas pautas ao longo do século XX. A criação do Partido Progressista por Theodore Roosevelt removeu dos Republicanos a maior parte dos liberais e moderados.
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Após o New Deal, os liberais migrariam em sua maioria para o Partido Democrata, tendência que se acentuou graças às políticas anti-segregação chanceladas por Harry Truman e Lyndon Johnson.
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Em reação, os defensores das ideias segregacionistas e racistas abandonaram a legenda e passaram a migrar para o Partido Republicano. Assim, os Democratas, que originalmente linchavam negros e financiavam milícias supremacistas, passaram a reivindicar a defesa das minorias
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E os Republicanos, que originalmente criaram a agremiação para lutar contra a escravidão, hoje buscam fidelizar o apoio de racistas e supremacistas apelando para pautas reacionárias e preconceituosas sob o verniz da defesa do conservadorismo e da moral cristã.
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