Pensar a História
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@historia_pensar

21 Tweets 1 reads Feb 01, 2023
Faleceu nesta quarta-feira, 9/11/2022, o cantor, compositor, ator e apresentador Rolando Boldrin, um dos maiores incentivadores e divulgadores da arte popular e da música brasileira de inspiração regional, sobretudo a cultura caipira paulista.
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Rolando Boldrin nasceu em São Joaquim da Barra, no interior de SP, em 22/10/1936. Aos 7 anos, aprendeu a tocar viola. Aos 12, já se apresentava com seu irmão, com quem formou a dupla caipira "Boy e Formiga", obtendo sucesso nas rádios locais.
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Aos 16 anos, partiu para SP de carona em um caminhão. Na capital paulista, trabalhou como sapateiro, frentista, carregador, garçom e ajudante de farmacêutico. Em 1958, estreou como ator de teleteatro na TV Tupi, contracenando com nomes como Lima Duarte e Laura Cardoso.
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Trabalhou ainda em produções da Record, Excelsior e Bandeirantes, somando mais de 30 novelas, incluindo clássicos da teledramaturgia nacional, tais como "O Direito de Nascer", "As Pupilas do Senhor Reitor", "Os Deuses Estão Mortos", "Mulheres de Areia" e "A Viagem".
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Dedicou-se paralelamente à música e à poesia. Em 1963, iniciou sua carreira musical, gravando o bolero "Um Cantinho pra Dois", em parceria com sua primeira esposa, a cantora Lurdinha Pereira.
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Também compôs "Papéis Velhos" e "Meu Coração É Meu Juiz", gravadas por Lourdinha em parceria com Geraldo Vietri e Léo Romano. Em 1974, gravou "O Cantadô", seu 1º disco solo, e compôs "Bola na Rede", gravado em parceria com Gianfrancesco Guarnieri.
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Nas décadas seguintes, Boldrin lançou uma série de álbuns contendo toadas e modas de viola.
Seu maior sucesso musical foi o baião "Vide Vida Marvada", composto em 1981, tema de seus programas e obra-prima do cancioneiro regional contemporâneo.
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Também compôs diversas músicas em parceria, como "Moda do Fim do Mundo" (com Tom Zé e Svaniek) e "Amor de Violeiro" (com a dupla Pena Branca e Xavantinho).
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Atuou ainda como intérprete, gravando canções de alguns dos mais relevantes compositores da música caipira, tais como Raul Torres e João Pacífico ("Chico Mulato"), Laureano ("Moda da Pinga") e Jararaca e Ratinho ("O Sapo no Saco").
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Em 1993, foi laureado com o Prêmio Sharp por seu LP "Disco da Moda".
Boldrin também se destacou no teatro. Em 1966, integrou o elenco da peça "Os Inimigos", montada pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa.
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Atuou ainda no Teatro de Arena, participando da peça "Roda Cor de Roda" (1975), dirigida por Antônio Abujamra. Estreou no cinema em 1978, interpretando o maquinista Pereira no filme "Doramundo", de João Batista de Andrade.
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Sua performance lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator, outorgado pela APCA. Voltou a ser laureado em 1999, no Festival de Brasília, recebendo o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação de Pedro Melo no filme "O Tronco", também de João Batista de Andrade.
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Atuou ainda como narrador em "Ele, o Boto", de Walter Lima Júnior, e como o personagem Giuseppe em "O Filme da Minha Vida", de Selton Mello.
Em 1981, Boldrin estreou o programa "Som Brasil", exibido pela Rede Globo, tendo como proposta a divulgação da música nacional.
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O programa se tornou um sucesso de audiência, sobretudo pela sua versatilidade e talento para o improviso — em grande parte inspirado pelos cordelistas do interior paulista, com os quais teve contato na infância.
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Deixou o programa em 1984, mas seguiu explorando a mesma temática e a mesma fórmula em outras emissoras. Apresentou ainda o "Empório Brasileiro" na TV Bandeirantes, o "Empório Brasil" no SBT e a "Estação Brasil" na CNT.
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Em 2005, passou a comandar o programa "Sr. Brasil" na TV Cultura, onde seguiu priorizando a exibição de artistas regionais, como um importante contraponto à onipresença midiática dos artistas apadrinhados pelo mercado.
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A atração foi laureada com o Prêmio APCA de Melhor Programa de Televisão ainda em 2005.
Os programas de televisão de Boldrin constituem uma das mais relevantes iniciativas em prol da promoção do cancioneiro popular e da difusão dos estilos regionais nas últimas décadas.
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Em um contexto de crescente influência dos gêneros internacionais e da massificação do sertanejo comercial, essas atrações buscavam valorizar a música interiorana, a canção caipira e o sertanejo raiz, bem como preservar a tradição oral por meio da contação de "causos.
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Casou-se novamente em 2008, desposando a produtora e cenógrafa Patrícia Maia Boldrin. Deu seguimento à sua atividade de compositor, tendo suas músicas gravadas por nomes como Renato Teixeira ("Tempo das Aves") e Zeca Baleiro ("Onde Anda Iolanda").
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Foi homenageado pela escola de samba Pérola Negra no carnaval de São Paulo em 2010, com sua contribuição à cultura brasileira referenciada no enredo "Vamos Tirar o Brasil da Gaveta".
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Em 2022, por ocasião de seu 85º aniversário, foi homenageado pela TV Cultura com o lançamento do documentário "Eu, a Viola e Deus", de João Batista de Andrade. Faleceu em São Paulo pouco tempo depois, aos 86 anos de idade.
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