Pensar a História
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@historia_pensar

19 Tweets 2 reads Feb 01, 2023
Há 100 anos, em 11 de novembro de 1922, nascia o espião britânico George Blake, um dos mais famosos espiões da Guerra Fria. Blake se notabilizou por ter atuado durante muitos anos como um agente duplo a serviço da União Soviética.
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George Blake nasceu em Roterdã, nos Países Baixos, filho de um oficial do Exército Britânico. Ainda na juventude, ajudou a combater os nazistas, voluntariando-se para servir como mensageiro e entregar correspondências aos partisans da resistência holandesa.
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Próximo ao fim da Segunda Guerra Mundial, ingressou na Marinha Real britânica, onde rapidamente se destacou. Foi recrutado então pelo Serviço Secreto de Inteligência do Reino Unido, o MI6.
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Continuou a combater o Terceiro Reich no MI6 e tomou parte dos interrogatórios de militares nazistas após o fim da guerra. Em 1947, o MI6 ordenou que aprendesse russo e coreano para atuar em missões de espionagem e contraespionagem junto aos países socialistas.
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Em 1948, foi enviado para a Coreia do Sul ao lado do diplomata britânico Vyvyan Holt, disfarçado de vice-cônsul do Reino Unido, com a missão de reunir inteligência sobre Coreia do Norte, China e União Soviética.
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Quando o Reino Unido ingressou na Guerra da Coreia para auxiliar as tropas dos EUA, Blake e os diplomatas britânicos foram capturados pelo Exército Popular da Coreia e feitos prisioneiros de guerra em uma base militar no vale do rio Yalu, onde permaneceram por três anos.
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Durante o período em que ficou preso na Coreia do Norte, Blake testemunhou os devastadores bombardeios da Força Aérea dos EUA e as crueldades cometidas contra civis coreanos. Também começou a ler obras de Karl Marx e a discutir sobre política com os agentes penitenciários.
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Começou a simpatizar com os ideais comunistas e logo chegou à conclusão de que estava lutando pelo lado errado. Ofereceu-se então para trabalhar como agente duplo para as nações socialistas, ajudando-as a desarticular redes de espionagem dos países ocidentais.
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A proposta foi aceita e Blake ingressou nos quadros do Ministério de Segurança de Estado (MGB), agência de inteligência doméstica e de contraespionagem da União Soviética. Libertado em 1953, George Blake retornou para o Reino Unido, onde foi recebido como herói de guerra.
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Em 1955, o MI6 o enviou para Berlim, onde foi incumbido da tarefa de cooptar oficiais soviéticos para servirem como agentes duplos. O próprio Blake, entretanto, era um agente duplo e informava a URSS sobre quais agentes não eram confiáveis ou estavam agindo contra o país.
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Ele também repassava ao Comitê de Segurança do Estado da União Soviética (KGB) detalhes sobre planos e operações de espionagem conduzidas por agências britânicas e estadunidenses.
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Foi Blake que informou Moscou sobre a Operação Ouro - um túnel sob Berlim Oriental que era utilizado por agentes do MI6 e da CIA para grampear as linhas telefônicas usadas por militares soviéticos.
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Ao longo de nove anos, Blake expôs 40 agentes do MI6 e da CIA para a KGB e ajudou a desarticular a maior parte das operações conduzidas pelos serviços secretos britânicos e estadunidenses na Europa Oriental.
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Em 1959, ele denunciou um agente encoberto da CIA que operava infiltrado nos quadros do Diretório Central de Inteligência da União Soviética (GRU). Também expôs o agente duplo Pyotr Semyonovich Popov, que estava conduzindo operações de sabotagem contra o governo soviético.
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Blake foi descoberto em 1961, após ser entregue por um desertor polonês chamado Michael Goleniewski. Antes que pudesse escapar, foi capturado em Londres e condenado a uma pena de 42 anos de prisão.
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Após cumprir cinco anos na prisão de Wormwood Scrubs, Blake conseguiu empreender uma fuga espetacular do cárcere. Fugiu para a Europa Continental, ingressando na Alemanha Oriental, de onde prosseguiu viagem em segurança rumo ao exílio na União Soviética.
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Blake passaria o resto da vida na União Soviética/Rússia, onde se aposentou como agente da KGB, casou-se e teve filhos. Publicou sua autobiografia em 1990, sob o título de "No Other Choice" ("Sem Outra Escolha").
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Nos anos noventa, ganhou o direito a receber uma indenização do governo britânico por violação de direitos humanos, concedida por força de sentença do Tribunal Europeu. Publicou outro livro em 2006, denominado "Transparent Walls" ("Paredes Transparentes").
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Em certa ocasião, ao ser questionado se achava desconfortáveis as acusações de que era um traidor do Reino Unido, respondeu sem titubear que não. "Para trair um país, é necessário pertencer a ele. Eu nunca pertenci." Faleceu em Moscou em 26/12/2020, aos 98 anos de idade.
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