Pensar a História
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@historia_pensar

22 Tweets 6 reads Feb 01, 2023
Há 135 anos, em 11/11/1887, os militantes anarquistas August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer e George Engel eram executados por enforcamento, após terem sido condenados à morte pela justiça dos Estados Unidos pela participação na Revolta de Haymarket.
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A Revolta de Haymarket é o evento que daria origem ao Dia do Trabalhador. Louis Lingg, o 5º condenado, cometeu suicídio na prisão. A execução dos anarquistas tornou-se um marco tétrico da arbitrariedade das instituições burguesas e da opressão sobre a classe trabalhadora.
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Encampando as bandeiras defendidas pela Associação Internacional dos Trabalhadores, as organizações sindicais dos EUA aprovaram a realização de uma greve geral para o dia 1º de maio de 1886. A principal exigência era a jornada diária de 8 horas, sem redução dos salários.
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Mais de 340 mil trabalhadores de diversas categorias nas principais cidades dos Estados Unidos aderiram à greve, paralisando a produção das fábricas em todo o país.
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A maior mobilização ocorreu em Chicago, então a segunda maior cidade dos Estados Unidos, onde mais de 80 mil pessoas aderiram às greves e às manifestações de rua. O patronato de Chicago se enfureceu com mobilização operária de 1º de maio.
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Porta-voz oficioso do empresariado, o jornal Chicago Times publicava, alguns dias antes da greve, que "a prisão e o trabalho forçado são as únicas soluções para a questão social" e que "o melhor alimento para os grevistas será o chumbo".
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Nos demais periódicos, o tom era o mesmo: textos exigindo "enérgica repressão" aos grevistas. Os operários não se intimidaram, mantendo as greves e as manifestações. No 3º dia de protestos, a polícia de Chicago cedeu às exigências do patronato e passou a atacar os grevistas
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Quando um grupo de grevistas da fábrica McCormick tentou bloquear o acesso de indivíduos contratados pela empresa para furar a greve, policiais armados com rifles e detetives particulares da Agência Pinkerton atiraram contra os manifestantes, matando três trabalhadores.
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A repressão policial inflamou os ânimos da classe operária. No dia 4 de maio, uma enorme multidão de trabalhadores compareceu para um protesto na Praça Haymarket.
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Tentando impedir a realização do ato, a polícia voltou a atacar os manifestantes, mas se deparou com uma vigorosa reação popular — que receberia o nome de Revolta de Haymarket. Os trabalhadores não recuaram, enfrentando os policias com paus e pedras.
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Em meio ao tumulto, uma bomba caseira explodiu, matando um policial. Iniciou-se uma batalha campal. Sete policiais foram mortos no tumulto e outros 60 ficaram feridos.
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Em represália, a polícia abriu fogo contra os manifestantes, matando outros quatro trabalhadores e ferindo dezenas.
Após o conflito de 4 de maio na Praça Haymarket, decretou-se estado de sítio e iniciou-se uma dura repressão anti-sindical.
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Sindicatos foram fechados e inúmeros grevistas foram presos. Organizações anarquistas sofreram represálias e as redações dos jornais operários foram depredadas. A imprensa culpou lideranças sindicais pelo atentado, em especial aquelas ligadas ao jornal "Arbeiter-Zeitung".
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Nos processos que se seguiram, oito sindicalistas anarquistas foram acusados de conspiração, sob a alegação de que teriam fabricado a bomba lançada contra os policiais.
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Cinco foram condenados à morte por enforcamento — August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel e Louis Lingg — mesmo não existindo qualquer prova contra eles. Nenhum dos jurados pertencia à classe operária.
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Durante o julgamento, os réus alegaram inocência e defenderam suas ações. "Anarquismo não significa derramamento de sangue, não significa roubo, incêndio criminoso, nada disso. Essas monstruosidades são, ao contrário, traços característicos do capitalismo."
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"Anarquismo significa a reorganização da sociedade sobre princípios científicos e a abolição das causas que produzem o vício e o crime", afirmou Spies, complementando: "Haverá um dia em que nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês estrangularão hoje".
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Fischer, por sua vez, asseverou: "Se a classe dominante pensa que nos enforcando, enforcando alguns anarquistas, eles podem acabar com o anarquismo, estão muito enganados, pois o anarquista ama seus princípios mais do que sua própria vida".
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Lingg cometeu suicídio na prisão. Os outros quatro foram enforcados no dia 11 de novembro de 1887, na data que ficou conhecida como "Sexta-Feira Sombria". Outros dois réus foram condenados à prisão perpétua e um terceiro a 15 anos de prisão.
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O funeral dos quatro operários executados pela justiça de Chicago causou grande comoção entre os trabalhadores estadunidenses e foi acompanhado por um público de mais de 200 mil pessoas.
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Em 1893, os sobreviventes tiveram seus julgamentos anulados e foram libertados. O governador de Illinois, John Peter Altgeld, descobriu que o chefe da polícia de Chicago havia sido o responsável por organizar o atentado a bomba, para justificar a repressão aos grevistas.
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Em homenagem aos 5 mártires da Revolta de Haymarket, a Segunda Internacional aprovou em 1891 a criação do Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, como uma data de afirmação da luta de classes e de reivindicação das demandas da classe operária em todo o mundo.
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