Há 298 anos, em 18/11/1724, falecia o inventor brasileiro Bartolomeu de Gusmão. Detentor da 1ª patente de invenção do continente americano, Bartolomeu se destacou como precursor da navegação aérea, ao conduzir a 1ª demonstração pública de um modelo de balão de ar quente. 1/24
Bartolomeu de Gusmão nasceu em Santos, no litoral paulista, em 1685. Era irmão do célebre diplomata Alexandre de Gusmão, responsável por elaborar a doutrina "uti possidetis" utilizada para justificar a expansão do território brasileiro sobre as terras da América Espanhola. 2/24
Após cursar as primeiras letras em Santos, Bartolomeu se mudou para a Bahia a fim de prosseguir com os estudos e iniciar sua carreira sacerdotal no Seminário de Belém, em Cachoeira, então uma das mais destacadas instituições de ensino da colônia portuguesa. 3/24
Dotado de grande inteligência e curiosidade científica, Bartolomeu iniciou em Cachoeira seus primeiros inventos. Situado em uma colina de 100 metros de altura, o seminário sofria com o abastecimento de água precário, dependendo do transporte de vasos da água do Rio Pitanga. 4/24
Para resolver o problema, Bartolomeu concebeu um maquinário que permitia bombear a água até o edifício por uma rede de canos. A bomba hidráulica funcionou com perfeição, impressionando o reitor do seminário. 5/24
Em 1705, Bartolomeu requereu patente do "invento para fazer subir água a toda distância e altura que se quiser levar". O pedido foi aceito, tornando-o detentor da 1ª patente outorgada no continente americano — sendo por isso alcunhado "o primeiro cientista das Américas". 6/24
Após concluir o curso no Seminário de Belém, Bartolomeu se transferiu para Salvador, onde ingressou na Companhia de Jesus. A fama sobre seus dotes intelectuais chegou à corte portuguesa, resultando em um convite para viajar a Lisboa em 1701. 7/24
De volta ao Brasil, Bartolomeu foi ordenado como sacerdote secular e seguiu estudando filosofia, matemática, física experimental, poesia, oratória, latim, francês e italiano, tornando-se um dos maiores intelectuais da colônia. 8/24
Em 1708, Bartolomeu retornou a Portugal, matriculando-se no curso de Direito Canônico da Universidade de Coimbra. Abandonou o curso para se mudar para Lisboa, onde foi pessoalmente recebido pelo rei Dom João V e pela rainha Maria Ana de Áustria. 9/24
Na capital portuguesa, aprofundou seus estudos sobre o empuxo arquimediano, com base nos quais concebeu um projeto de aeróstato — um grande balão esférico, revestido por tela consistente, apto a se elevar do chão ao ser preenchido com ar quente. 10/24
Pediu então a patente de "instrumento para andar pelo ar". A notícia de um invento capaz de voar causou celeuma nas cortes europeias. Concepções fantasiosas do aeróstato começaram a circular, representando-o como uma embarcação em forma de pássaro, dita "Passarola". 11/24
Em agosto de 1709, Bartolomeu recebeu autorização do rei de Portugal para demonstrar o invento à corte portuguesa. Foram feitos cinco experimentos com modelos de pequenas dimensões. Na primeira tentativa, realizada na Casa do Forte, o protótipo pegou fogo antes de subir. 12/24
Dois dias depois, realizou-se uma nova apresentação. O balonete se elevou a 4,6 metros de altura, mas pegou fogo no ar. Na 3ª experiência, o protótipo fez um voo curto e incendiou-se ao pousar. Na 4ª tentativa o balão se elevou a uma grande altitude e pousou com perfeição. 13/24
A quinta demonstração, conduzida no Palácio Real no dia 8 de agosto, diante do rei e dos embaixadores das nações europeias, foi a mais bem sucedida. O balão subiu até o teto, permaneceu suspenso no ar por um bom tempo e então desceu suavemente ao chão. 14/24
Uma nova demonstração bem sucedida do invento foi realizada em 3 de outubro, na Casa da Índia, com um protótipo bem maior do que os anteriores.
Embora tenha despertado a curiosidade do público, a invenção de Bartolomeu não bastou para engendrar investimentos da corte. 15/24
Os balões não tinham capacidade de transportar objetos pesados, a trajetória do voo não podia ser controlada e havia o risco de provocar acidentes. Assim, a coroa portuguesa descartou a ideia de financiar aeróstatos tripuláveis. Bartolomeu seguiu projetando novos inventos. 16/24
Em 1713, apresentou na Holanda um pedido de patente para um novo modelo de bomba hidráulica, capaz de impedir o alagamento de navios ("um máquina para a drenagem de água alagadora de qualquer embarcação em alto mar"), expedida três meses depois. 17/24
Concebeu ainda um sistema de espelhos e lentes convergentes que permitiram assar carne ao sol, trabalhou com fabricação de carvão artificial e inventou uma máquina para ampliar a potência dos moinhos hidráulicos, também contemplada com patente. 18/24
Em 1720, após concluir o curso de Direito Canônico, Bartolomeu foi convocado pelo rei de Portugal para servir no Ministério das Relações Exteriores. Nesse mesmo ano, tornou-se membro fundador da Academia Real da História Portuguesa. 19/24
Dois anos depois, foi laureado com o título de fidalgo-capelão da Casa Real portuguesa. O enorme prestígio intelectual de Bartolomeu, entretanto, não o manteve a salvo das intrigas e campanhas de difamação movidas por seus detratores. 20/24
Além dos boatos de que seus inventos eram derivados de um pacto com o Diabo, Bartolomeu foi acusado de ser simpatizante dos cristãos-novos. Acusado de conversão ao judaísmo, o inventor caiu em desgraça e passou a ser perseguido pela Inquisição. 21/24
Fugiu para a Espanha, percorrendo longas distâncias a pé, objetivando exilar-se posteriormente na Inglaterra — sem sucesso. Adoeceu gravemente durante a fuga, sendo levado ao Hospital da Misericórdia de Toledo, onde faleceu em 18 de novembro de 1724, aos 38 anos de idade. 22/24
Os estudos de Bartolomeu de Gusmão com aeróstatos seriam retomados quase 80 anos mais tarde pelos irmãos franceses Joseph e Etienne Montgolfier, responsáveis por construir o primeiro balão tripulado do mundo, em 1783. 23/24
E o sonho de alcançar os céus seguiria inspirando ao longo dos séculos seguintes as jornadas dos pioneiros da aviação, levadas a um outro patamar graças a um brasileiro igualmente singular em genialidade: Alberto Santos Dumont. 24/24