Pensar a História
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@historia_pensar

12 Tweets Feb 01, 2023
O Ministro da Cultura de Portugal, Pedro Adão e Silva, anunciou nessa sexta que o país pretende devolver os tesouros sob sua posse que foram removidos de suas antigas colônias — incluindo obras de arte, objetos sacros e artefatos arqueológicos, entre outros bens culturais.
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Pioneiro da expansão marítima europeia, Portugal constituiu a partir do século XV o primeiro império global, estabelecendo a exploração de colônias espalhadas pela América do Sul, África e Ásia.
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O ministro prometeu criar um grupo de trabalho composto por historiadores, acadêmicos e museólogos para elaborar uma lista dos tesouros a serem devolvidos. Segundo a historiadora Isabel de Castro Henriques, "tudo identificado como pilhado ou roubado deve ser devolvido".
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Não foi estabelecido cronograma ou prazo para efetivar a devolução. O ministro português disse que o processo será demorado e conduzido com "reflexão, discrição e alguma reserva", de modo a "evitar um debate público polarizado".
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Caso a devolução seja concretizada, o Brasil deve ser um dos países mais beneficiados. Parte substancial das peças abrigadas no antigo Tesouro Real de Portugal tem origem na nação sul-americana — que foi por mais de três séculos a maior e mais valiosa colônia portuguesa.
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Em Lisboa, o Museu do Tesouro Real, sediado em uma ala do Palácio Nacional da Ajuda, mantém uma exposição permanente chamada "Ouro e Diamantes do Brasil", contendo centenas de exemplares de pedras e metais preciosos que foram integrados ao espólio português.
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Dentre os destaques do Tesouro Real, encontra-se o chamado "Torrão de Lisboa", a segunda maior pepita de ouro do mundo. A pepita foi encontrada no Arraial da Água Quente, em Goiás, no século XVIII, e levada para Portugal.
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Pesando mais de 20 quilos, a pepita foi objeto da cobiça de Napoleão, mas foi escondida e escapou da pilhagem de Lisboa pelas tropas francesas.
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Encontra-se igualmente no Tesouro Real português um dos mais valiosos diamantes brutos do mundo. A pedra de 138,5 quilates foi descoberta em Minas Gerais no século XVIII.
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Também veio do Brasil um precioso exemplar de água-marinha de 1680 quilates, documentado como uma das preciosidades da Coroa Portuguesa desde o reinado de João VI — o chamado "Diamante Bragança".
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Portugal possui ainda alguns dos mais valiosos acervos de arqueologia e etnologia brasileira, contendo milhares de artefatos produzidos pelos povos indígenas e pelas culturas pré-cabralinas.
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Esses acervos incluem artefatos que são raros até mesmo em coleções brasileiras, incluindo exemplares de muiraquitãs, estatuetas antropomorfas e máscaras cerimoniais esculpidas em madeira.
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