Pensar a História
Pensar a História

@historia_pensar

25 Tweets 39 reads Feb 01, 2023
Há 110 anos, em 13/12/1912, nascia Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Gonzaga notabilizou-se por adaptar os ritmos folclóricos e regionais ao circuito comercial e por gravar canções antológicas, imbuídas de pungente regionalismo lírico, abordando a vida do povo nordestino.
1/25
Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu, Sertão de Pernambuco, filho dos lavradores Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus. Aprendeu a tocar sanfona com o pai. Aos 13 anos, comprou sua 1ª sanfona e passou a tocar em festas de casamento e bailes.
2/25
Adolescente, apaixonou-se por Nazarena, filha de um coronel da região que não aprovava o namoro. A insistência em se encontrar com a moça custou ao jovem uma surra dos pais e ameaças de morte do coronel. Indignado com a situação, Gonzaga fugiu de casa, rumando para o Ceará.
3/25
Em Fortaleza, Gonzaga se alistou no exército e serviu na Revolução de 1930 — movimento que encerrou o pacto oligárquico da República Velha e alçou Vargas à presidência. Foi enviado para o Piauí, onde combateu os soldados que se recusaram a aderir ao movimento.
4/25
Depois, viajou ao Mato Grosso, a fim de resguardar as fronteiras nacionais durante a Guerra do Chaco. Por fim, foi realocado para Minas Gerais, onde teve aulas de música com Domingos Ambrósio. Permaneceu no exército até 1939, quando pediu baixa, já no Rio de Janeiro.
5/25
No Rio, Gonzaga se sustentou tocando sanfona nos bares da Zona do Mangue e nos cabarés da Lapa, com um repertório de tangos, valsas e foxtrotes. Na noite carioca, conheceu o violinista baiano Xavier Pinheiro, que se tornaria seu amigo.
6/25
Em busca de oportunidades, passou a frequentar os programas de calouros nas rádios cariocas, mas não obteve sucesso a princípio. Convencido por amigos a incluir músicas nordestinas em seu repertório, surpreendeu-se com a reação positiva do público.
7/25
Quando retornou ao programa de calouros de Ary Barroso na Rádio Tupi, Gonzaga se apresentou com a canção "Vira e Mexe", um "chamego" de sua autoria. A inovação deu certo: o músico obteve nota máxima e levou o prêmio de 150 mil réis.
8/25
youtube.com
O sucesso resultou em convites para novos projetos. Gonzaga participou como músico de apoio em uma gravação de Genésio e Januário e conseguiu um contrato com a gravadora RCA. Em 1941, gravou a mazurca "Véspera de São João" e a valsa "Numa Serenata".
9/25
youtube.com
Entre 1941 e 1945, Gonzaga gravou 32 discos, sempre como solista. Paralelamente, se apresentou na Rádio Clube, na Rádio Tamoio e na Rádio Nacional. Em 1945, gravou sua primeira canção como cantor, "Dança Mariquinha", com letra de Miguel Lima.
10/25
youtube.com
Intencionando criar um repertório que expressasse a identidade nordestina, Gonzaga estabeleceu uma prolífica parceria com Humberto Teixeira. Entre 1947 e 1952, a dupla compôs 27 músicas, incluindo algumas das mais célebres obras do cancioneiro nacional.
11/25
Versando sobre o flagelo da seca, a toada "Asa Branca" se tornaria um verdadeiro hino sertanejo e permanece até hoje como uma das canções mais regravadas na história da música brasileira.
12/25
youtube.com
"Baião", por sua vez, se converteu em um marco da música brasileira, ensejando o surgimento de um novo gênero musical, assentado na adaptação dos ritmos regionais ao acompanhamento de um trio musical, composto por sanfona, zabumba e triângulo.
13/25
youtube.com
O novo ritmo seria predominante no panorama musical brasileiro até os anos 60 e teria enorme influência sobre a produção posterior. Gonzaga e Humberto Teixeira gravaram muitos outros sucessos, incluindo "Assum Preto", "Qui Nem Jiló" e "Juazeiro".
14/25
youtube.com
Gonzaga também estabeleceria uma colaboração bastante produtiva com o compositor Zé Dantas. A parceria resultou em 46 composições, incluindo "O Xote das Meninas", "Vem Morena", "Cintura Fina", "Vozes da Seca" e "A Volta da Asa Branca".
15/25
youtube.com
Em consonância com a aspiração de representar a nordestinidade, Gonzaga substituiu o paletó pela indumentária cangaceira, do chapéu de Lampião à jaqueta de couro sertaneja — contribuindo para a construção da identidade visual associada ao nordeste no imaginário popular.
16/25
Após a morte de Zé Dantas, Gonzaga estabeleceu nova parceria com João Silva, que resultaria no lançamento de dezenas de novas canções, incluindo "Danado de Bom", "Forró de Ouricuri", "Arcoverde Meu", e a célebre polca "Pagode Russo".
17/25
youtube.com
Não obstante, o surgimento da Bossa Nova, da Jovem Guarda e de outros ritmos influenciados pelo jazz e pela música estadunidense do pós-guerra reduziram o espaço de Gonzaga nas rádios e levaram a mudanças no gosto musical da população dos grandes centros urbanos.
18/25
Ignorado nos circuitos comerciais, Gonzaga se voltou para as plateias do interior, passando a se apresentar em pequenos festivais. O apoio equivocado de Gonzaga a burocratas ligados à ditadura também contribuiu para o seu isolamento da comunidade artística.
19/25
Nos anos seguintes, Gonzaga gravaria uma série de composições sob um crescente influxo místico-religioso ("Ave Maria Sertaneja", "Padroeira do Brasil", "Canaã", etc.) e produziu obras em parceria com o filho, Gonzaguinha.
20/25
Também retomou a temática da música de protesto, denunciando a opressão imposta ao povo nordestino, magistralmente expressa em "Missa do Vaqueiro". Em 1980, foi chamado para cantar para o Papa João Paulo II durante a visita do pontífice ao Brasil.
21/25
youtube.com
Gonzaga participou dos esforços contra a seca que assolou o Nordeste entre 1979 e 1984, causando mais de três milhões de mortes. Contribuiu com a coleta de alimentos e insumos e gravou "Sequei os Olhos", referenciando o episódio.
22/25
youtube.com
Gonzaga seguiu trabalhando até o fim da vida, realizando shows, gravando canções inéditas e lançando coletâneas. Faleceu em Recife em 2 de agosto de 1989, aos 76 anos de idade. Foi postumamente homenageado por seu filho, Gonzaguinha, com o álbum "Luizinho de Gonzaga".
23/25
Em 2008, a prefeitura de Recife inaugurou um memorial em sua homenagem. Quatro anos depois, em seu centenário de nascimento, Gonzaga foi tema do samba-enredo da escola Unidos da Tijuca e teve sua obra rememorada por filmes, documentários e uma série de shows.
24/25
Porta-voz da cultura nordestina, Luiz Gonzaga operou uma autêntica revolução na música popular e influenciou gerações inteiras de artistas, da MPB ao rock nacional. Desde 2005, o Dia Nacional do Forró é celebrado em sua data de nascimento.
25/25

Loading suggestions...