Há 75 anos, em 14 de dezembro de 1947, nascia Dilma Rousseff. Na condição de Ministra de Minas e Energia e chefe da Casa Civil, Dilma ajudou a viabilizar as transformações sociais do governo Lula. Posteriormente, tornou-se a primeira mulher eleita para governar o Brasil. 1/25
Dilma nasceu em Belo Horizonte, segunda dos 3 filhos de Dilma Jane Coimbra Silva e Pedro Rousseff. Teve seus primeiros contatos com o movimento estudantil no Colégio Estadual Central, onde se tornou militante da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP). 2/25
O golpe de 1964 e a subsequente instauração da ditadura militar levaram a POLOP a uma cisão, motivada por divergências acerca da luta armada. Favorável à estratégia revolucionária, Dilma juntou-se aos dissidentes que formariam o Comando de Libertação Nacional (COLINA). 3/25
No COLINA, Dilma exerceu atividades de transporte de armas, formação de quadros e articulação com sindicatos e setores da sociedade civil. Também assumiu a responsabilidade pela publicação do jornal "O Piquete". 4/25
Perseguida pelos aparelhos repressivos em Belo Horizonte, refugiou-se no Rio de Janeiro, onde conheceu o líder da dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Carlos Araújo, que se tornaria seu futuro companheiro e pai de sua única filha, Paula. 5/25
Em 1969, o COLINA se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), onde Dilma seguiu atuando. A VAR-Palmares se dividia em dois grupos internos — os "militaristas" e os "basistas". 6/25
Agrupados em torno de Lamarca, os militaristas priorizavam a luta armada. Já os basistas defendiam o foco no trabalho de conscientização das massas. Embora pertencesse ao grupo dos basistas, os militares consideravam Dilma "um dos cérebros dos esquemas revolucionários". 7/25
O promotor que denunciou a organização rotulou Dilma como "a Joana d'Arc da subversão" por seu papel na organização de greves e apoio logístico aos grupos armados. Em 1970, Dilma foi capturada por agentes do DOPS em São Paulo e levada para o quartel general da OBAN. 8/25
Durante o período em que ficou presa, Dilma foi torturada com espancamentos, pau de arara e choques elétricos, chegando a ter sua mandíbula quebrada. Permaneceu confinada durante três anos no Presídio Tiradentes e teve os seus direitos políticos cassados por 18 anos. 9/25
Libertada, Dilma se mudou para Porto Alegre, a fim de concluir sua graduação em economia na UFRGS. Formou-se em 1977 e retomou sua militância no Instituto de Estudos Políticos e Sociais (IEPES), organização ligada ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). 10/25
Após a abolição do bipartidarismo, Dilma ajudou Brizola a fundar o PDT. Dilma também auxiliou na campanha bem sucedida de Alceu Collares à prefeitura de Porto Alegre, tornando-se titular da Secretaria Municipal da Fazenda em 1986. 11/25
Em 1991, Dilma, assumiu a presidência da Fundação de Economia e Estatística, indicada novamente por Alceu Collares, agora eleito governador do RS. Depois, passou a comandar a Secretaria Estadual de Energia, Minas e Comunicações, onde permaneceu até 1995. 12/25
Dilma voltaria a chefiar a pasta em 1998, durante o governo de Olívio Dutra. Sua gestão foi marcada por avanços significativos na gestão energética. A capacidade do setor elétrico do estado foi ampliada em 46% por meio de uma bem sucedida estratégia de obras emergenciais. 13/25
Os investimentos impediram que o RS fosse afetado pela crise do apagão elétrico que eclodiu durante o governo FHC. Já filiada ao PT, Dilma ajudou a elaborar as propostas para a recuperação do setor elétrico apresentadas pela campanha de Lula à presidência em 2002. 14/25
Com a vitória de Lula, Dilma assumiu o Ministério de Minas e Energia e a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. Sua gestão ampliou em 35% a capacidade instalada de produção de energia, implementou o Novo Modelo do Setor Elétrico e o programa Luz Para Todos 15/25
Na Petrobras, Dilma implementou a política de conteúdo nacional, viabilizando investimentos massivos no setor petroquímico e na indústria naval. Em 2005, Dilma se tornou a 1ª mulher a chefiar a Casa Civil. Nessa função, assumiu a responsabilidade pelo PAC. 16/25
Ao longo do governo Lula, Dilma articulou parte substancial das ações que serviram de alicerce à retomada do crescimento. Candidata do PT na eleição de 2010, Dilma derrotou José Serra no 2º turno, tornando-se a 1ª mulher eleita para a presidência do Brasil. 17/25
Seu governo ampliou a rede de proteção social implementada por Lula (Brasil Sem Miséria), instituiu as cotas étnico-raciais nas universidades, aumentou os investimentos em educação e ampliou a cobertura assistencial do SUS através do programa Mais Médicos. 18/25
Também estabeleceu a Comissão Nacional da Verdade, visando investigar os crimes da ditadura militar, e seguiu com a política de valorização do salário mínimo. Em 2014, o Brasil registrou a menor taxa de desemprego da história e, pela 1ª vez, saiu do Mapa da Fome da ONU. 19/25
As conquistas, entretanto, ocorreram em paralelo com o agravamento da crise financeira, que derrubou o preço das commodities. A degradação da situação fiscal, a eclosão das manifestações de junho de 2013 e os protestos contra a Copa se tornaram vetores de desestabilização 20/25
O governo Dilma foi alvo de um programa de espionagem operado por agências de inteligência dos EUA e o PT se tornou foco de uma virulenta campanha midiática de demonização e criminalização. Por fim, iniciou-se uma guerra jurídica movida no âmbito da Operação Lava Jato. 21/25
Dilma conseguiu se reeleger no pleito de 2014. Seu governo, entretanto, enfrentaria o boicote da oposição parlamentar e o antagonismo encarniçado da imprensa, ansiosa por legitimar os abusos da Lava Jato e inflamar os protestos antigovernamentais que tomaram as ruas. 22/25
Esse processo levou à decomposição da base de apoio do governo petista. Sem sustentação política, Dilma seria deposta por um golpe parlamentar em 2016. Com a queda de Dilma, iniciou-se a imposição de um modelo de governança baseado no autoritarismo e ultraliberalismo,... 23/25
...marcado pelo desmonte dos serviços públicos, retirada de direitos, corte de benefícios, desregulação da legislação ambiental, privatizações, etc.
Em 2022, a justiça extinguiu o processo em que Dilma era acusada de lesar o erário por meio das "pedaladas fiscais",... 24/25
...alegação que serviu de base para seu pedido de impeachment 6 anos antes. A decisão torna ainda mais evidente a ilegalidade da destituição. O atraso de 6 anos, por sua vez, apenas reforça a cumplicidade do judiciário na conspiração golpista que devastou o Brasil. 25/25