Há 46 anos, em 16/12/1976, Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), eram fuzilados por agentes da ditadura durante o Massacre da Lapa. Um terceiro dirigente, João Batista Franco Drummond, morreu sob tortura nas dependências do DOI-Codi 1/20
A operação ocorreu na sede do Comitê Central do PCdoB em São Paulo, localizada no bairro da Lapa, e tinha por objetivo eliminar a cúpula do partido, responsável por conduzir a Guerrilha do Araguaia — principal ação da luta armada contra a ditadura militar. 2/20
O PCdoB foi fundado em 1962 como resultado da cisão do Partido Comunista Brasileiro (PCB), originada após os debates do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, nos quais Nikita Kruschev apresentou seus relatórios denunciando Josef Stalin. 3/20
Em 1958, o PCB lançou a "Declaração de Março", abandonando o seu antigo programa em favor do princípio da "transição pacífica para o socialismo", vinculada à "manutenção dos processos democráticos". 4/20
Opondo-se à decisão do PCB, um grupo de dissidentes liderados por Maurício Grabois, João Amazonas e Pedro Pomar fundou o PCdoB, reafirmando a adesão aos fundamentos do marxismo-leninismo e à aceitação da estratégia da guerra revolucionária como meio de tomada do poder. 5/20
Após o golpe de 1964 e a instauração da ditadura militar, o PCB se recusou a apoiar a luta armada, abrindo uma nova crise interna. O PCdoB, por sua vez, foi um dos principais defensores do enfrentamento armado, articulando a criação de eixos de ação nas cidades e no campo. 6/20
Em 1966, o PCdoB passou a enviar secretamente quadros do partido para a região do "Bico do Papagaio", na divisa entre os estados de Tocantins, Pará e Maranhão, onde foi estabelecido um núcleo de treinamento e guerrilha. 7/20
Era o início da Guerrilha do Araguaia, que atuaria na região ao longo de 7 anos. Os guerrilheiros conseguiram impor uma heroica resistência nos anos iniciais, infligindo algumas baixas aos militares e até mesmo obrigando as Forças Armadas a recuarem em algumas operações. 8/20
A partir de 1972, o general Médici iniciou o cerco e aniquilamento da Guerrilha do Araguaia. O assassinato de Maurício Grabois e a prisão de membros da comissão dirigente da guerrilha em 1973 facilitou o isolamento dos guerrilheiros e enfraqueceu o movimento. 9/20
O exército coordenou duas grandes expedições de enfrentamento contra a organização, levando ao extermínio da maioria dos guerrilheiros e à desarticulação da guerrilha em 1975. 10/20
Além de combater os guerrilheiros, a ditadura militar se ocupou em exterminar o comando do PCdoB, assassinando 10 dos 29 dirigentes do partido entre 1974 e 1976. João Amazonas, um dos principais alvos do regime, conseguiu evitar sua captura, exilando-se na Albânia. 11/20
Em meados de de 1976, o PCdoB convocou uma reunião a ser realizada no dia 16 de dezembro, em sua sede no bairro da Lapa, São Paulo, para discutir a estratégia dos comunistas após a derrota da Guerrilha do Araguaia. 12/20
Não obstante, um dos dirigentes do PCdoB, Manoel Jover Telles, informou aos agentes da ditadura o local e a data da reunião. Telles havia sido preso em meados de 1976 e negociara com o a ditadura a traição ao seu partido em troca do pagamento de 150 mil cruzeiros. 13/20
A operação recebeu aval do presidente Geisel e ficou a cargo do comandante do 2° Exército, general Dilermando Gomes Monteiro. A chacina foi perpetrada por agentes do DOI-CODI e do DOPS, respectivamente chefiadas por Rufino Ferreira Neves e pelo delegado Sérgio Fleury. 14/20
No dia 16 de dezembro de 1976, estavam reunidos na residência da Lapa nove membros da direção nacional do PCdoB, além de Jover Telles, José Novaes e militantes que executavam tarefas operacionais e de segurança. 15/20
Após permitirem a saída de Telles e efetuarem algumas prisões, os agentes invadiram o imóvel e assassinaram a tiros de metralhadora os dirigentes Pedro Pomar e Ângelo Arroyo. 16/20
Um terceiro dirigente, João Batista Franco Drummond, foi conduzido à sede do DOI-Codi e morto sob tortura no mesmo dia. Outros 6 dirigentes do PCdoB foram presos e torturados: Elza Monnerat, Haroldo Lima, Aldo Arantes, Joaquim Celso de Lima, Maria Trindade e Wladimir Pomar 17/20
Os militares afirmaram que os dois dirigentes fuzilados teriam resistido a prisão e iniciado um tiroteio e que Drummond teria sido atropelado quando empreendia fuga pela Avenida Nove de Julho. 18/20
As investigações posteriores, entretanto, constataram que as justificativas eram falsas, montadas com o objetivo de ocultar os assassinatos. 19/20
O Massacre da Lapa resultou na desarticulação do PCdoB e eliminou os principais nome ligados à resistência revolucionária, levando ao fim do enfrentamento armado contra a ditadura. Os responsáveis pela chacina jamais foram responsabilizados. 20/20