Há 97 anos, em 19/12/1925, nascia Lepa Radić, heroína da Segunda Guerra Mundial. Integrante da Resistência Iugoslava, Lepa lutou contra as tropas do Eixo até ser capturada pelos nazistas em 1943. Recusando-se a entregar seus companheiros, foi enforcada aos 17 anos de idade. 1/23
Lepa Radić nasceu na aldeia de Gasnica, então parte do Reino da Iugoslávia (hoje Bósnia e Herzegovina), em uma família humilde de origem sérvia. Cursou o ensino básico em escolas de Bistrica e Bosanska Gradiska. 2/23
Interessou-se desde cedo por literatura e artes e chegou a frequentar a Escola de Artesanato Feminino em Bosanska Krupa. Adolescente, passou a estudar sobre o socialismo, em grande parte por influência do tio, Vladeta Radić, ativo no movimento operário local. 3/23
Ingressou posteriormente na Juventude Comunista e aos 15 anos já participava das atividades desenvolvidas pelo Partido Comunista da Iugoslávia. 4/23
Em abril de 1941, após a eclosão da Segunda Guerra Mundial, forças da Alemanha Nazista, auxiliadas por tropas da Itália e Hungria, invadiram a Iugoslávia e rapidamente subjugaram as defesas nacionais. 5/23
Os territórios ocupados pelo Eixo foram integrados ao Estado Independente da Croácia — um estado fantoche controlado pela Alemanha nazista e governado por Ante Pavelić, líder do movimento fascista croata. 6/23
Pavelić instituiu na Iugoslávia a mesma política de genocídio em massa conduzida por Adolf Hitler na Alemanha, com a instalação de campos de concentração e o expurgo de grupos étnicos tidos como indesejáveis, sobretudo sérvios, judeus e romanis. 7/23
Estima-se que mais de 700 mil pessoas foram assassinadas durante a ocupação nazista da Iugoslávia, dos quais 500 mil eram sérvios. Reagindo a essas atrocidades, a esquerda iugoslava conclamou o povo a lutar contra os ocupantes e seus colaboradores. 8/23
Marechal Tito, líder do Partido Comunista da Iugoslávia, chegou a comandar um exército popular com quase um milhão de guerrilheiros, ditos partisans, logrando a libertação de vários territórios do domínio alemão e colaborando com a fuga das minorias perseguidas. 9/23
Em novembro de 1941, Lepa Radić e sua família foram aprisionados pela Ustase — organização paramilitar croata responsável por conduzir a repressão aos sérvios, judeus e militantes antifascistas. 10/23
No mês seguinte, auxiliada pelos partisans iugoslavos, a jovem conseguiu fugir da prisão, junto com sua irmã, Dara. Libertada, Lepa decidiu se juntar aos partisans, tomando parte na luta armada contra os nazistas. 11/23
Ingressou então na 7ª Companhia da Resistência Iugoslava, atuando junto ao 2º Destacamento de Krajiski. 12/23
Lepa se voluntariou a atuar na linha de frente, auxiliando na remoção de combatentes feridos e na fuga dos grupos perseguidos pelos nazistas.
Em meados de 1942, lutou na Ofensiva de Kozara, travada no noroeste da Bósnia. 13/23
Em janeiro do ano seguinte, participou da Batalha do Neretva, combate de grande importância estratégica travado contra as forças do Eixo no início de 1943, ajudando a transportar os feridos até um abrigo em Grmech. 14/23
Em fevereiro de 1943, durante a batalha contra a 7ª Divisão de Montanha da SS, Lepa foi capturada enquanto organizava o resgate de 150 mulheres e crianças perseguidas pelos nazistas. 15/23
Transferida para uma instalação militar em Bosanska Krupa, a jovem foi submetida a sessões de tortura ao longo de vários dias, mas seguiu se recusando a entregar os nomes e a localização de seus companheiros da Resistência. 16/23
Diante das seguidas negativas, os nazistas a condenaram à morte por enforcamento.
Conduzida ao cadafalso em 8 de fevereiro de 1943, Lepa seguiu exortando seus compatriotas à luta: "Não se rendam aos malfeitores! 17/23
"Serei assassinada, mas há os que me vingarão", gritou, já com a corda posicionada em seu pescoço. Os nazistas ainda tentaram mais uma vez extrair informações, comprometendo-se a poupar sua vida se ela entregasse os nomes e a localização dos outros partisans. 18/23
Resoluta, Lepa negou o acordo. "Não sou uma traidora do meu povo. Aqueles por quem perguntam serão conhecidos quando conseguirem aniquilar todos os malfeitores, até o último homem", retrucou. Em seguida, foi executada. Lepa tinha apenas 17 anos quando foi assassinada. 19/23
Sua coragem e abnegação comoveram e inspiraram a população civil, sobretudo as mulheres, que tiveram participação fundamental na guerra de libertação. Ao menos 100 mil mulheres lutaram contra os nazistas na Resistência Iugoslava — e 25 mil morreram durante o conflito. 20/23
Um ano após a morte de Lepa, os partisans desencadearam uma ofensiva massiva que resultou na destruição das linhas alemãs e na expulsão dos nazistas da Iugoslávia. 21/23
Em 1945, o Estado Independente da Croácia foi desfeito, a monarquia iugoslava foi deposta e Marechal Tito assumiu o governo da República Federal Popular da Iugoslávia, instituindo um governo socialista e iniciando um amplo programa de reformas econômicas e sociais. 22/23
Lepa Radić foi postumamente condecorada com a Ordem do Herói do Povo. Tornou-se, assim, a mais jovem heroína da Segunda Guerra Mundial a ser laureada até então. Empresta seu nome a uma escola na Bósnia e um busto em sua homenagem foi erguido em Bistrica. 23/23