Ofício dos coordenadores de saúde indígena na terra yanomami, ainda no governo Bolsonaro, apontou tomada "espantosa" de unidade básica de saúde por garimpeiros, com verdadeiro cerco ao posto. Documento cita vedação a voos de pacientes e ameaça a empresa contratada pelo ministério
O ofício descreve uma inspeção à unidade de saúde de Homoxi, fechada pelos garimpeiros desde novembro de 2021. Os coordenadores de saúde dizem no documento: "Já na chegada ao polo qualquer um se espantaria com a cena, a unidade está cercada por invasores, não há mais disfarce."
A tomada do lugar por garimpeiros ilegais impediu pousos e decolagens de pacientes e equipes médicas. Seria "desumano" colocar profissionais de saúde ali, diz o ofício. "A invasão do garimpo fez com que uma grande maioria de indígenas se deslocasse, abandonando suas comunidades."
São mais de 20 mil garimpeiros na terra indígena, estimulados por Bolsonaro. O governo do extremista descumpriu sucessivas ordens judiciais que determinam a retirada de invasores. A unidade de saúde deveria ser reativada, também por decisão judicial. Foi incendiada em dezembro.
Como consequência, a terra yanomami vive um surto de malária: 44 mil casos em menos de dois anos (a população no território é de 28 mil). Mais da metade das crianças está desnutrida. O governo declarou estado de emergência em saúde pública: www1.folha.uol.com.br
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