Dentre os vários retrocessos civilizacionais causados pela ditadura militar brasileira, o incentivo ao desmatamento em larga escala da Amazônia se destaca pela grandeza da devastação. Esse processo se intensificou nos anos 70 — em meio ao chamado "Milagre Econômico". 1/21
Até o final dos anos 60, a floresta estava quase intocada, mas os militares não enxergavam nada de positivo nisso. Ao contrário: para o regime, a Amazônia era um problema nacional, um desperdício. Um "deserto verde" cheio de riquezas intocadas que precisava ser "civilizado" 2/21
A Amazônia era frequentemente chamada de "inferno verde" e os militares utilizavam slogans ufanistas e patrióticos para justificar a necessidade da exploração predatória: "integrar para não entregar" 3/21
Em pouco mais de duas décadas, a ditadura militar devastou um quinto da área da floresta, causando o deslocamento forçado e a morte de milhares de indígenas. Concedeu terras para fazendeiros, incentivou a ação de pecuaristas, latifundiários, madeireiras e garimpeiros. 4/21
Criaram até linhas de financiamento para a exploração predatória da floresta - nomeadamente por meio da SUDAM. A imprensa foi a principal cúmplice da ditadura nesse processo, colaborando para validar os interesses econômicos que pressionavam pela derrubada da floresta,... 5/21
...e endossando a narrativa de que a destruição da Amazônia significava progresso. A seguir, apresentamos exemplos de peças publicitárias e propagandas glorificando e exortando a destruição da Amazônia. As imagens foram compiladas pelo botânico Ricardo Cardim. 6/21
"A Amazônia já era!". Anúncio da companhia Netumar adverte que "a Amazônia do folclore, da selva impenetrável” havia chegado ao fim. E celebra: “como isto nos orgulha”. 7/21
Edição especial da revista Manchete lançada em outubro de 1970 com 12 páginas coloridas dedicadas à "conquista" da floresta viabilizada pela abertura da rodovia Transamazônica, sob o sugestivo título de "Aqui vencemos a floresta". 8/21
Capa da edição especial da revista Manchete dedicada ao "Novo Brasil". A matéria reproduz o discurso de que é preciso destruir a floresta para ocupar o “vazio demográfico” e explorar as riquezas da região. 9/21
"Inferno Verde já era...". Propaganda oficial da ditadura militar comemorando o fim do “Inferno Verde”, como se referiam à Amazônia. 10/21
Propaganda na "Isto É Amazônia". O texto apresenta o folclore da região como sinônimo de atraso e conclama os empresários e se explorarem floresta, "um pote de ouro à espera dos felizardos". "Vamos faturar". “Há um tesouro à sua espera. Aproveite. Fature. Enriqueça". 11/21
Reportagem da revista Veja glorificando as vitórias na "luta contra a selva". Na matéria, a revista exalta o "desenvolvimento" em Rondônia, "a nova estrela no Oeste": “"Há mais de 10 anos Rondônia é o destino de um dos maiores fluxos migratórios da história do Brasil." 12/21
Propaganda oficial da ditadura apresenta a Amazônia como uma "mina de ouro" e aconselha aos empresários: "Transfira boa parte desse ouro para o seu bolso". 13/21
Anúncio da Andrade Gutierrez publicado na revista “Manchete” exalta a construção da rodovia Transamazônica: “Para unir os brasileiros nós rasgamos o inferno verde”. 14/21
Capa da “Isto É Amazônia”, com textos em português e em inglês. Ao mesmo tempo em que repetia o discurso ufanista de que era necessário ocupar a Amazônia para que evitar a cobiça estrangeira, a ditadura conclamava os estrangeiros a comprarem terras e explorarem a floresta. 15/21
Matérias escritas por Amaral Netto, jornalista apologista da ditadura militar e divulgador das ações do regime, glorificando a construção da Transamazônica. 16/21
Publicidade do Bank of London aludindo à importância da construção Transamazônica e a participação da instituição bancária na exploração da floresta. 17/21
Capa de revista “O Cruzeiro” com matérias exaltando a construção das rodovias na região Norte e elegendo a "Miss Transamazônica". 18/21
Cartaz celebrando a inauguração da rodovia Belém-Brasília e a transformação da floresta em pasto. 19/21
Anúncio da construtora Queiroz Galvão sobre Juarez Transamazônico, o primeiro menino a nascer no “admirável mundo novo” que ela estava ajudando a construir. 20/21
Edição da revista Manchete comemorando os 150 anos da Independência e citando, novamente, a construção da Transamazônica como uma conquista civilizacional. 21/21