Pensar a História
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@historia_pensar

24 Tweets 6 reads Feb 27, 2023
Há 91 anos, em 1º de fevereiro de 1932, o revolucionário Farabundo Martí, fundador do Partido Comunista Salvadorenho e líder do Levante Camponês de 1932, era fuzilado pelo exército de El Salvador.
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Farabundo Martí nasceu em 5 de maio de 1893, em Teotepeque, uma comunidade agrícola no departamento de La Libertad, em El Salvador. Após concluir o ensino básico em um colégio salesiano, ingressou no curso de ciência política e jurisprudência da Universidade de El Salvador.
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Durante a graduação, teve seus primeiros contatos com as ideias socialistas e começou a analisar de forma crítica a exploração da classe trabalhadora salvadorenha e os privilégios da burguesia. Abandonou o curso na Universidade de El Salvador e aderiu à luta camponesa.
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Em 1920, Farabundo foi preso junto com um grupo de estudantes após organizar um protesto contra os governos autoritários de Jorge Meléndez e Alfonso Quiñónez Molina. Forçado a se exilar, fixou-se na Guatemala e posteriormente no México, retornando a El Salvador em 1925.
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Após voltar do exílio, tornou-se representante da Liga Anti-Imperialista das Américas. Foi novamente preso após comparecer à conferência da organização em Nova York. Ao lado de Miguel Mármol, foi um dos fundadores do Partido Comunista Salvadorenho (PCS), criado em 1930.
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Nomeado dirigente do partido e delegado da Internacional Comunista, Farabundo travou contato com o líder revolucionário nicaraguense Augusto César Sandino, auxiliando-o na organização do movimento de resistência contra a ocupação militar dos Estados Unidos na Nicarágua.
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Farabundo também fundou a seção local do Socorro Vermelho Internacional — organização de serviço social ligada à Internacional Comunista, responsável por fornecer ajuda material aos trabalhadores e aos prisioneiros políticos.
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A Quebra da Bolsa de de Nova York em 1929 e a Grande Depressão derrubaram os preços do café no mercado internacional. Fortemente dependente da exportação da commodity, El Salvador mergulhou em uma profunda recessão, levando ao aumento exponencial do desemprego e da miséria.
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O governo respondeu à crise fiscal aplicando medidas que puniam a classe trabalhadora e incentivavam a concentração fundiária, passando a confiscar as terras de pequenos produtores a fim de transferi-las para os grandes latifundiários.
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Farabundo dedicou-se a denunciar as ações injustas do governo salvadorenho, ao mesmo tempo em que fornecia importante ajuda aos camponeses depauperados, por intermédio das ações do Socorro Vermelho.
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O trabalho de base de Farabundo lhe garantiu amplo apoio entre os trabalhadores e camponeses, que aos poucos começaram a aderir ao discurso revolucionário.
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Incomodado com a crescente popularidade de Farabundo e com os rumores de que o dirigente pretendia se candidatar à presidência nas eleições seguintes, o governo de El Salvador o forçou novamente ao exílio em dezembro de 1930.
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Após o pleito de 1931, Farabundo Martí retornou a El Salvador, reassumindo suas funções como secretário-geral do PCS. Poucos meses depois, Maximiliano Hernández Martínez, líder do partido fascista Legião Nacional Pró-Pátria, assumiu o governo através de um golpe militar.
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Farabundo articulou então a criação de uma resistência revolucionária, organizando uma guerrilha de camponeses indígenas e pequenos agricultores, contrariados com as ações governamentais de favorecimento aos grandes proprietários de terra.
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Em 1932, teve início o Levante Camponês, com protestos e revoltas em todo o país. Camponeses e indígenas atacaram instalações militares e tomaram quartéis e edifícios governamentais, enquanto os dirigentes do PCS conclamavam as massas à sublevação.
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O movimento revolucionário obteve sucesso momentâneo, mas o governo salvadorenho logo recebeu auxílio material e logístico dos Estados Unidos para sufocar o levante.
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Contando com a ajuda estadunidense, os militares salvadorenhos conseguiram esmagar a revolta em algumas semanas. A repressão evoluiu para um genocídio brutal, denominado "La Matanza", resultando no assassinato de aproximadamente 40.000 pessoas, quase todas indígenas.
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O massacre quase exterminou a nação indígena pipil. Apoiados pela igreja e setores conservadores, militares salvadorenhos adotaram uma política de execução em massa de pessoas com traços indígenas, deixando pilhas de cadáveres pelas ruas dos vilarejos.
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Com a anuência de Maximiliano Hernández Martínez, as forças de repressão abusavam da crueldade, cometendo atos de tortura e executando idosos, mulheres e crianças com golpes de facão.
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Houve também a aprovação de uma legislação de repressão da cultura indígena, com a proibição do uso de línguas nativas e o banimento dos costumes e hábitos dos povos tradicionais.
Farabundo Martí foi capturado pelos militares e condenado à morte após um julgamento farsesco
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Foi fuzilado pelo exército salvadorenho no dia 1º de fevereiro de 1932. Outros líderes da revolta também foram executados — incluindo o indígena Feliciano Ama, o dirigente Francisco Sánchez e os estudantes universitários Mario Zapata e Alfonso Luna.
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Mesmo após a execução das lideranças, a revolta popular e o massacre levado a cabo pelas forças armadas se estenderam por mais alguns meses, até o término do conflito em julho de 1932.
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Farabundo Martí segue como um dos maiores nomes símbolos de resistência da esquerda salvadorenha e inspiração para organizações revolucionárias latino-americanas.
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É o patrono da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), grupo guerrilheiro convertido em partido político em 1992, e das Forças Populares de Libertação Farabundo Martí.
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