Há 91 anos, em 1º de fevereiro de 1932, o revolucionário Farabundo Martí, fundador do Partido Comunista Salvadorenho e líder do Levante Camponês de 1932, era fuzilado pelo exército de El Salvador. 1/24
Farabundo Martí nasceu em 5 de maio de 1893, em Teotepeque, uma comunidade agrícola no departamento de La Libertad, em El Salvador. Após concluir o ensino básico em um colégio salesiano, ingressou no curso de ciência política e jurisprudência da Universidade de El Salvador. 2/24
Durante a graduação, teve seus primeiros contatos com as ideias socialistas e começou a analisar de forma crítica a exploração da classe trabalhadora salvadorenha e os privilégios da burguesia. Abandonou o curso na Universidade de El Salvador e aderiu à luta camponesa. 3/24
Em 1920, Farabundo foi preso junto com um grupo de estudantes após organizar um protesto contra os governos autoritários de Jorge Meléndez e Alfonso Quiñónez Molina. Forçado a se exilar, fixou-se na Guatemala e posteriormente no México, retornando a El Salvador em 1925. 4/24
Após voltar do exílio, tornou-se representante da Liga Anti-Imperialista das Américas. Foi novamente preso após comparecer à conferência da organização em Nova York. Ao lado de Miguel Mármol, foi um dos fundadores do Partido Comunista Salvadorenho (PCS), criado em 1930. 5/24
Nomeado dirigente do partido e delegado da Internacional Comunista, Farabundo travou contato com o líder revolucionário nicaraguense Augusto César Sandino, auxiliando-o na organização do movimento de resistência contra a ocupação militar dos Estados Unidos na Nicarágua. 6/24
Farabundo também fundou a seção local do Socorro Vermelho Internacional — organização de serviço social ligada à Internacional Comunista, responsável por fornecer ajuda material aos trabalhadores e aos prisioneiros políticos. 7/24
A Quebra da Bolsa de de Nova York em 1929 e a Grande Depressão derrubaram os preços do café no mercado internacional. Fortemente dependente da exportação da commodity, El Salvador mergulhou em uma profunda recessão, levando ao aumento exponencial do desemprego e da miséria. 8/24
O governo respondeu à crise fiscal aplicando medidas que puniam a classe trabalhadora e incentivavam a concentração fundiária, passando a confiscar as terras de pequenos produtores a fim de transferi-las para os grandes latifundiários. 9/24
Farabundo dedicou-se a denunciar as ações injustas do governo salvadorenho, ao mesmo tempo em que fornecia importante ajuda aos camponeses depauperados, por intermédio das ações do Socorro Vermelho. 10/24
O trabalho de base de Farabundo lhe garantiu amplo apoio entre os trabalhadores e camponeses, que aos poucos começaram a aderir ao discurso revolucionário. 11/24
Incomodado com a crescente popularidade de Farabundo e com os rumores de que o dirigente pretendia se candidatar à presidência nas eleições seguintes, o governo de El Salvador o forçou novamente ao exílio em dezembro de 1930. 12/24
Após o pleito de 1931, Farabundo Martí retornou a El Salvador, reassumindo suas funções como secretário-geral do PCS. Poucos meses depois, Maximiliano Hernández Martínez, líder do partido fascista Legião Nacional Pró-Pátria, assumiu o governo através de um golpe militar. 13/24
Farabundo articulou então a criação de uma resistência revolucionária, organizando uma guerrilha de camponeses indígenas e pequenos agricultores, contrariados com as ações governamentais de favorecimento aos grandes proprietários de terra. 14/24
Em 1932, teve início o Levante Camponês, com protestos e revoltas em todo o país. Camponeses e indígenas atacaram instalações militares e tomaram quartéis e edifícios governamentais, enquanto os dirigentes do PCS conclamavam as massas à sublevação. 15/24
O movimento revolucionário obteve sucesso momentâneo, mas o governo salvadorenho logo recebeu auxílio material e logístico dos Estados Unidos para sufocar o levante. 16/24
Contando com a ajuda estadunidense, os militares salvadorenhos conseguiram esmagar a revolta em algumas semanas. A repressão evoluiu para um genocídio brutal, denominado "La Matanza", resultando no assassinato de aproximadamente 40.000 pessoas, quase todas indígenas. 17/24
O massacre quase exterminou a nação indígena pipil. Apoiados pela igreja e setores conservadores, militares salvadorenhos adotaram uma política de execução em massa de pessoas com traços indígenas, deixando pilhas de cadáveres pelas ruas dos vilarejos. 18/24
Com a anuência de Maximiliano Hernández Martínez, as forças de repressão abusavam da crueldade, cometendo atos de tortura e executando idosos, mulheres e crianças com golpes de facão. 19/24
Houve também a aprovação de uma legislação de repressão da cultura indígena, com a proibição do uso de línguas nativas e o banimento dos costumes e hábitos dos povos tradicionais.
Farabundo Martí foi capturado pelos militares e condenado à morte após um julgamento farsesco 20/24
Foi fuzilado pelo exército salvadorenho no dia 1º de fevereiro de 1932. Outros líderes da revolta também foram executados — incluindo o indígena Feliciano Ama, o dirigente Francisco Sánchez e os estudantes universitários Mario Zapata e Alfonso Luna. 21/24
Mesmo após a execução das lideranças, a revolta popular e o massacre levado a cabo pelas forças armadas se estenderam por mais alguns meses, até o término do conflito em julho de 1932. 22/24
Farabundo Martí segue como um dos maiores nomes símbolos de resistência da esquerda salvadorenha e inspiração para organizações revolucionárias latino-americanas. 23/24
É o patrono da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), grupo guerrilheiro convertido em partido político em 1992, e das Forças Populares de Libertação Farabundo Martí. 24/24