Há 58 anos, em 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X era assassinado nos Estados Unidos. Malcolm X foi um dos principais líderes da luta em prol dos direitos civis dos afro-americanos e expoente maior do movimento do Nacionalismo Negro. 1/23
Malcolm Little nasceu em Omaha, Nebraska, em 19/05/1925, filho de Earl e Louise Little. Seu pai era um militante da Associação Universal para o Progresso dos Negros (UNIA), motivo pelo qual a família era constantemente assediada por organizações supremacistas. 2/23
Em 1929, grupos racistas chegaram a incendiar a casa da família Little, sem que os bombeiros interviessem para apagar o incêndio. A família teve de se mudar várias vezes para escapar de ameaças. 3/23
O pai de Malcolm foi assassinado por grupos racistas de Lansing, Michigan, em 1931, o que deixou a família em situação muito delicada. Louise jamais se recuperou do choque da morte de marido e permaneceu internada em uma clínica psiquiátrica por 26 anos. 4/23
Malcolm e os irmãos passaram a viver em um orfanato de Lansing. Na escola do orfanato, Malcolm se destacou entre os melhores alunos, mas perdeu interesse nos estudos após uma experiência frustrante com um professor. 5/23
Após ouvir o jovem lhe dizer que pretendia ser um advogado no futuro, o professor retrucou advertindo-o que, em função da cor da sua pele, poderia no máximo ansiar em se tornar carpinteiro.
Malcolm deixou o orfanato e foi morar com sua irmã, Ella, em Boston. 6/23
Passou a trabalhar como engraxate e a frequentar bairros boêmios. Mudou-se posteriormente para Nova York, onde se envolveu com gangues e começou a praticar furtos e assaltos. Acabou sendo preso e condenado a uma sentença de 10 anos de reclusão em Norfolk, Massachusetts. 7/23
Na cadeia, recebia visitas do irmão, Reginald Little, que lhe apresentou a Nação do Islã - organização liderada por Elijah Muhammad, que lutava pela auto-gestão e direitos civis dos afro-americanos. Malcolm converteu-se ao islamismo em 1953 e ingressou na Nação do Islã. 8/23
Abandonou o seu sobrenome de batismo, considerando-o uma herança da escravidão, e adotou a denominação Malcolm X. Após sair da prisão, Malcolm X, tornou-se um dos líderes mais ativos da Nação do Islã, assumindo o templo da organização no Harlem. 9/23
Também passou atuar como jornalista, escrevendo textos em defesa do movimento do Nacionalismo Negro, exortando a luta pela emancipação dos afro-americanos.
Em 1959, após figurar em um documentário sobre o Nacionalismo Negro, Malcolm X ganhou projeção nacional. 10/23
Seus discursos tornaram-se mais inflamados, conclamando os negros a usarem todos os meios necessários para a autodefesa, incluindo a violência. Também passou a criticar de forma incisiva o capitalismo, defendendo a ideia de que o socialismo era mais benéfico à causa negra. 11/23
Os discursos de Malcolm X começaram a incomodar as autoridades, temerosas de que os afro-americanos organizassem movimentos de massa e aceitassem o argumento da legitimidade da violência revolucionária como instrumento para a conquista dos direitos civis. 12/23
A presença de Malcolm X em comícios do Partido Socialista dos Trabalhadores e seus encontros com líderes revolucionários alarmou anda mais o governo dos Estados Unidos, que incumbiu o Departamento Federal de Investigação (FBI) de monitorá-lo permanentemente. 13/23
A oratória excepcional e retórica inflamada de Malcolm X foram fundamentais para a expansão da Nação do Islã e do ideário do Nacionalismo Negro. Malcolm X atraía multidões aos atos em que comparecia. 14/23
A defesa da violência revolucionária, entretanto, desagradaria lideranças do movimento negro, nomeadamente o pastor Martin Luther King. Após o assassinato de Kennedy, as fortes declarações de Malcolm X denunciando o imperialismo estadunidense também causariam rusgas. 15/23
Malcolm X também se desentenderia com as lideranças da Nação do Islã, após criticar ações impróprias de Elijah Muhammad. Em 1964, Malcolm X deixou a Nação do Islã e fundou a Associação da Mesquita Muçulmana. 16/23
Nesse mesmo ano, iniciou uma jornada religiosa de peregrinação rumo à cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita. Por ocasião da viagem, adotou um novo nome - Al Hajj Malik Al-Shabazz. 17/23
Após retornar para os Estados Unidos, fundou uma nova instituição secular - a Organização da Unidade Afro-Americana, dedicada à defesa dos direitos civis da população negra. 18/23
Objetivando expandir a influência de sua organização, Malcolm X atenuou a virulência de sua retórica de modo a tentar unificar o movimento negro. Não houve, entretanto, tempo hábil para desenvolver o projeto. 19/23
No dia 21 de fevereiro de 1965, enquanto proferia uma palestra no bairro do Harlem, em Nova York, Malcolm X foi assassinado com mais de dez tiros. As autoridades apontaram que o atentado foi organizado por desafetos ligados à Nação do Islã. 20/23
Três membros da organização foram condenados e presos pelo assassinato. Persistem até hoje, entretanto, inconsistências e dúvidas sobre o caso e lideranças do movimento negro sustentam que Malcolm X foi vítima de um assassinato político orquestrado pelo governo dos EUA. 21/23
Malcolm X permanece até hoje como um dos maiores ícones do movimento negro. Sua luta por justiça racial sedimentou parte substancial das iniciativas em prol da organização política dos afro-americanos. 22/23
A ele também são creditados o esforço em elevar a autoestima do povo negro e a reconexão com a herança africana. Malcolm X inspirou diversas organizações e movimentos surgidos a partir da segunda metade do século XX, do movimento Black Power aos Panteras Negras. 23/23