Pensar a História
Pensar a História

@historia_pensar

19 Tweets 117 reads Feb 22, 2023
Populares se reúnem na Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, para saudar o retorno dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que combateram os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
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Após a vitória na Segunda Guerra Mundial, quase todas as nações aliadas criaram programas de reintegração e apoio aos veteranos que lutaram no conflito mais sangrento da história.
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A União Soviética criou pensões e programas de requalificação profissional. Estados Unidos e Reino Unido estabeleceram linhas de crédito e serviços de assistência médica para os ex-combatentes.
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O Brasil foi uma notável exceção. Excetuadas as cerimônias protocolares, os pracinhas foram tratados com absoluto desprezo pelo governo de Getúlio Vargas e pelo alto comando das Forças Armadas após retornarem da Europa.
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Embora fosse a unidade militar mais experiente e bem treinada das Forças Armadas, e a única a atuar diretamente no maior conflito da história, a Força Expedicionária Brasileira foi imediatamente desmobilizada logo após o seu retorno.
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Trata-se de um caso único entre os grupamentos militares que combateram na Segunda Guerra. Quase todos os demais países transformaram as divisões que lutaram na guerra em unidades de referência para o treinamento de tropas.
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Os pracinhas foram dispensados sem qualquer tipo de benefício, pensão ou auxílio do Estado. Não foram submetidos sequer a exames médicos.
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Conforme relata o historiador Dennison de Oliveira, "o Exército fez o possível para marginalizar e desconsiderar quem esteve na linha de frente. Havia enorme preconceito e inveja daqueles que estiveram com a FEB."
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O governo Vargas e as Forças Armadas achavam que a FEB não era confiável. Boa parte dos soldados que lutaram pela FEB eram comunistas orgânicos, filiados ao Partido Comunista do Brasil ou admiradores de Luís Carlos Prestes e de outras lideranças do tenentismo.
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Diversos comunistas brasileiros se voluntariaram para lutar contra os nazistas na FEB durante a 2ª Guerra. Foi o caso, por exemplo, de Jacob Gorender, dirigente do PCB e futuro fundador do PCBR, que se destacaria também por integrar a luta armada contra a ditadura militar
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Outros pracinhas da FEB defendiam o aperfeiçoamento da democracia liberal, com o fim da censura e o retorno das eleições livres, o que já bastava para constranger o establishment autoritário e ditatorial do Estado Novo.
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Ademais, o alto comando das Forças Armadas, tradicionalmente muito elitizado, se ressentia com o fato de que soldados de baixa patente, a grande maioria de origem humilde, fossem tratados como heróis pela população.
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Militares ricos e influentes fizeram um grande esforço para escapar da convocação à guerra e o envio dos expedicionários para a Europa foi por muito tratado como motivo de piada nos quartéis.
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Quando os pracinhas retornaram, vitoriosos, gloriosos e cobertos de prestígio popular, os oficiais carreiristas não conseguiram esconder a inveja e incômodo.
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Logo após o retorno dos pracinhas, o alto comando das Forças Armadas proibiu os soldados da FEB de fazerem declarações ou concederem entrevistas sem autorização do Ministério da Guerra.
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Ao contrário do que ocorreu nos demais países aliados, as Forças Armadas do Brasil levaram décadas para erguer os primeiros monumentos em homenagem aos soldados tombados.
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Paradoxalmente, o primeiro país a construir monumentos homenageando os pracinhas brasileiros foi a Itália - nomeadamente o cemitério dos brasileiros em Pistoia.
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Ao invés disso, as Forças Armadas buscaram desmobilizar e neutralizar politicamente a FEB e reservar à glória dos bustos apenas os nomes do oficialato oriundos da burguesia nacional.
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As iniciativas que buscavam comemorar a participação dos pracinhas na luta contra o nazifascismo e arrecadar fundos para auxiliar as famílias dos veteranos partiram da sociedade civil.
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