Pensar a História
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@historia_pensar

24 Tweets 43 reads Feb 26, 2023
Há 154 anos, em 26 de fevereiro de 1869, nascia a pedagoga e revolucionária socialista Nadejda Krupskaya. Esposa de Vladimir Lenin, Nadejda foi uma figura central no esforço pela erradicação do analfabetismo e na construção do sistema educacional da União Soviética.
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Nadejda Krupskaya nasceu em São Petersburgo, em uma família empobrecida da pequena nobreza russa. Frequentou o ginásio feminino até os 14 anos, quando teve de interromper os estudos para auxiliar a família após a morte de seu pai.
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Retomou os estudos alguns anos depois, cursando pedagogia numa escola de ensino superior feminina. Já graduada, começou a lecionar em uma escola dominical noturna, frequentada por operários.
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Tornou-se admiradora das ideias filosóficas de Tolstói e teve seus primeiros contatos com o marxismo, passando a frequentar círculos de discussão clandestinos sobre o ideário socialista. Krupskaya conheceu Lenin em uma dessas reuniões, em 1894.
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No ano seguinte, os dois fundariam a União de Luta pela Emancipação da Classe Operária, tornando-se alvos da polícia política czarista. Lenin foi preso em 1895 e Krupskaya em 1896. Os dois se reencontraram durante o exílio na Sibéria e se casaram em julho de 1898.
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Em 1901, o casal emigrou para a Alemanha e depois para a Inglaterra. De volta à Rússia, Krupskaya tornou-se secretária do Comitê Central após a Revolução de 1905, mas deixou novamente o país após a rebelião ser abafada, mudando-se para a França.
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Krupskaya foi uma das mais destacadas colaboradoras de Lenin nas atividades do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), coordenando todo o trabalho burocrático e administrativo da agremiação.
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Paralelamente, dedicou-se ao estudo dos problemas pedagógicos e concebeu projetos para a reorganização do ensino em um hipotético Estado proletário, publicando diversos artigos sobre essa temática no jornal Pravda.
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Krupskaya retornou à Rússia em abril de 1917, em meio à agitação política que havia derrubado o czar Nicolau II. Nas eleições municipais de junho, obteve um assento no Conselho dos Trabalhadores de Viburgo, ajudando a compor a maioria bolchevique.
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Após o triunfo da Revolução de Outubro, em 1917, Krupskaya passou a integrar o Comissariado do Povo para a Instrução Pública, onde colaborou com Anatóli Lunatcharski na definição das bases do sistema educacional a ser instituído pelo governo revolucionário.
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Krupskaya defendeu a unificação do sistema de ensino, a universalização do acesso ao ensino superior gratuito e a erradicação do analfabetismo. Também teve participação fundamental na criação da Komsomol (União da Juventude Comunista) e da Organização dos Pioneiros.
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Após a morte de Lenin, em 1924, Krupskaya seguiu possuindo forte atuação na coordenação do sistema educacional e nas atividades do Comitê Central do Partido Comunista.
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Nas lutas internas pelo comando da União Soviética, Krupskaya apoiou Josef Stalin e se opôs a Leon Trotsky, a quem enxergava como um traidor da causa revolucionária, interessado em "restabelecer a ordem burguesa e a exploração capitalista das massas trabalhadoras".
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Krupskaya exerceu o cargo de Ministra da Educação da União Soviética ao longo de uma década, entre 1929 e 1939. Também se tornou integrante do Soviete Supremo em 1931.
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Krupskaya também coordenou os esforços para a eliminação do analfabetismo, liderando uma Comissão Extraordinária que mobilizou centenas de milhares de estudantes, professores e intelectuais.
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A campanha de alfabetização tinha por lema "Aqueles que sabem ler e escrever devem ensinar os que não sabem". Entre 1920 e 1940, cerca de 60 milhões de adultos foram alfabetizados, ao passo que a escolarização de crianças e adolescentes foi universalizada.
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Na educação básica, Krupskaya propôs a reformulação completa do currículo, visando fortalecer o ensino das ciências naturais e sociais sob uma perspectiva de estímulo à capacidade crítica e analítica.
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Krupskaya defendia a difusão de uma concepção materialista dos fenômenos naturais e do uso dos recursos, de forma a combater o misticismo e a superstição.
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Da mesma forma, era favorável ao enfoque crítico na compreensão das relações de classe e das formas de desenvolvimento social, visando aguçar o senso crítico e a conscientização política.
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Krupskaya teve papel fundamental na expansão e democratização das redes de bibliotecas públicas da União Soviética.
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Inaugurou bibliotecas em quase todas as cidades, renovou os acervos públicos com a inclusão de livros adequados às necessidades dos trabalhadores e estudantes e incentivou o treinamento dos funcionários, criando escolas profissionalizantes para bibliotecários.
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Nos anos 30, Krupskaya publicou suas "Memórias de Lenin", abordando aspectos biográficos sobre sua vida ao lado do líder da Revolução de Outubro e notas sobre a interpretação leninista do marxismo.
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Em seus últimos anos, Krupskaya se dedicou à defesa da igualdade de gênero e criticou algumas das reformas promovidas por Stalin, sobretudo a reforma educacional, por considerar que havia enfraquecido o ensino politécnico.
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Nadejda Krupskaya faleceu em Moscou, em 27 de fevereiro de 1939, aos 70 anos. Foi homenageada emprestando seu nome a um prêmio concedido pela Unesco para pessoas e organizações que se destacam na luta contra o analfabetismo.
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