Há 34 anos, em 27/02/1989, tinha início o Caracaço — revolta popular que se espalhou pela Venezuela, em protesto contra as medidas neoliberais de Carlos Andrés Perez. O Caracaço pavimentou o caminho para a radicalização da esquerda, prenunciando a Revolução Bolivariana. 1/17
A década de 1980 foi marcada na Venezuela por uma grave crise econômica. A queda abrupta do preço do barril do petróleo nos mercados internacionais havia causado um enorme desequilíbrio fiscal na economia venezuelana, muito dependente da exportação dessa commodity. 2/17
As reservas cambiais secaram, a dívida externa explodiu e a inflação disparou. O país registrou uma fuga de capitais sem precedentes e um grande aumento na taxa de desemprego. 3/17
Em 1988, Carlos Andrés Pérez foi eleito presidente da Venezuela prometendo ações enérgicas para superar a crise econômica e retomar o crescimento. 4/17
Seu programa de governo, chamado "El Gran Viraje" ("A Grande Virada"), consistia na aplicação do receituário neoliberal do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das recomendações dos economistas da chamada "Escola de Chicago". 5/17
As medidas incluíam privatização de empresas estatais, abertura dos mercados internos, redução dos investimentos públicos, corte de programas sociais, desregulação do setor financeiro e redução das taxas alfandegárias. 6/17
As ações do governo venezuelano tiveram um resultado desastroso, causando perda de poder de compra dos trabalhadores, concentração de renda e aumento generalizado da pobreza e da desigualdade. 7/17
Ao fim da década de oitenta, 85% dos venezuelanos estavam vivendo abaixo da linha da pobreza, enquanto menos de 3,5% da população integrava as classes A e B. A ação de maior impacto imediato no bolso da população, entretanto, foi o fim do subsídio da gasolina. 8/17
Em um único fim de semana, os preços do combustível subiram mais de 100%, gerando aumentos em cascata nas tarifas do transporte público (que subiram 30% em apenas um dia), no preço dos alimentos e em diversos setores da economia. 9/17
A insatisfação popular atingiu o ápice em 27 de fevereiro de 1989, quando uma rebelião espontânea explodiu em Guarenas, no estado de Miranda. Rapidamente os protestos se espalharam por todo o país. 10/17
À frente dos protestos, estavam os moradores mais pobres, oriundos das favelas. Na capital venezuelana, Caracas, registraram-se manifestações em quase todos os bairros populares. As ruas se converteram em um cenário de batalha campal, com piquetes e barricadas. 11/17
Shopping centers foram incendiados, lojas e supermercados foram saqueados e prédios públicos foram ocupados pelos manifestantes.
Em reação à rebelião popular, o governo venezuelano decretou estado de emergência e toque de recolher. 12/17
Também determinou imposição de lei marcial. Em 28 de fevereiro, o presidente Carlos Andrés Pérez suspendeu uma série de artigos da Constituição que garantiam direitos e liberdades individuais e ordenou ao exército o "restabelecimento da ordem". 13/17
A repressão resultou em um massacre de grandes proporções, com inúmeros registros de execuções sumárias, torturas e desaparecimentos, denunciados pela Anistia Internacional. 14/17
O número de mortos é estimado em mais de 3.500 pessoas, incluindo inúmeras crianças. Dezenas de milhares de manifestantes ficaram feridos. Houve escassez de caixões e colapso nos sistemas de atendimento médico em Caracas. 15/17
A brutal repressão do governo de Carlos Andrés Pérez contra a população venezuelana marcou o início da derrocada política dos setores conservadores e da hegemonia neoliberal no país. 16/17
A indignação popular e a atmosfera de instabilidade política fomentaram o caminho para a ascensão da esquerda radical, em especial do Movimento Bolivariano Revolucionário e seu principal líder, Hugo Chávez. 17/17