Já ouviram falar nas "3 Strikes Laws"? Elas foram implementadas nos anos 50 nos EUA e determinam a condenação automática à prisão perpétua de qualquer pessoa que cometesse três delitos, incluindo crimes não violentos e de menor potencial ofensivo. Como roubar uma tesoura.
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As "3 Strikes Law" foram em grande parte responsáveis por fazer com que os EUA possuíssem a maior população carcerária do mundo, com 2,3 milhões de presos. A autodenominada "Terra dos Livres" responde por 4% da população mundial, mas concentra 25% de todos os presos do planeta.
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Nas prisões dos EUA abundam casos de pessoas presas por motivos banais. É o caso, por exemplo, de Jerry Dewayne Williams, de Los Angeles, que foi condenado à prisão perpétua por roubar um pedaço de pizza.
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Também é o caso de Allen Russell, de 38 anos, que vai passar o resto da vida na cadeia pela posse de 44 gramas de maconha.
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Com alguma sorte, Russell pode conseguir uma revisão da pena e diminuir o tempo de prisão. É o que ocorreu com o morador de rua Fate Winslow, que foi condenado à prisão perpétua por vender um cigarro de maconha a um policial à paisana, mas saiu da cadeia após 12 anos.
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Em grande parte dos casos, não há possibilidade de revisão. Lance Saltzman, por exemplo, não poderá recorrer de sua sentença de prisão perpétua. Lance furtou e escondeu a arma de seu pai agressivo, tentando evitar que ele atirasse em sua mãe.
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As revisões também podem ser pouco efetivas quando o réu é punido com dupla condenação. É o que ocorreu com Leandro Andrade, que recebeu duas sentenças de prisão perpétua por furtar fitas VHS com filmes infantis.
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A situação é particularmente grave na Califórnia, onde Kamala Harris atuou como procuradora. As cadeias do estado estão abarrotadas de pessoas presas por motivos insignificantes. Como Curtis Wilkerson, que pegou prisão perpétua por furtar um par de meias de US$ 2,50.