Pensar a História
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@historia_pensar

21 Tweets 96 reads Apr 30, 2023
O coronel Otto Von Kleiber negocia com o major Franco Ferreira a rendição dos militares alemães à Força Expedicionária Brasileira (FEB). Há 78 anos, em 29 de abril de 1945, os soldados brasileiros derrotavam as tropas nazistas na Batalha de Fornovo di Taro.
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A batalha foi último grande confronto travado pelo Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Ao término da Campanha da Itália, os Aliados organizaram a "Ofensiva da Primavera", operação militar que visava desarticular as derradeiras linhas de defesa das tropas nazistas.
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O Brasil registrou um bom desempenho durante a operação. Em doze dias, os pracinhas percorreram cerca de 400 quilômetros e libertaram mais de 60 vilas, povoados e cidades italianas.
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Após derrotarem os nazistas em Montese e Zocca, os brasileiros passaram a perseguir as colunas alemãs que haviam evacuado La Spezia, visando impedir que se deslocassem rumo às regiões setentrionais da Itália.
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Informados pelo IV Corpo do Exército dos Estados Unidos sobre a presença de soldados nazistas nos arredores de Parma, os brasileiros começaram a vasculhar a região.
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No dia 26 de abril de 1945, o Esquadrão de Reconhecimento da FEB chegou à cidade de Collecchio, onde se deparou com um contingente de soldados alemães.
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Seguiu-se uma intensa batalha, em condições pouco favoráveis — os brasileiros, apoiados por alguns blindados, contra dois batalhões da 90ª Divisão Panzer Granadier, equipados com veículos semilagarta e canhões automáticos.
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O combate se estendeu até o dia seguinte, quando os brasileiros receberam reforços de sua infantaria. O auxílio foi decisivo para que a FEB vencesse a Batalha de Collecchio, capturando 588 soldados alemães. A FEB sofreu 17 baixas — um pracinha morto e 16 feridos.
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O grosso das tropas alemãs na província de Parma, entretanto, estava situado a poucos quilômetros de Collecchio, na cidade vizinha de Fornovo di Taro, organizando escaramuças e focos de resistência para retardar o avanço das tropas aliadas.
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Assim, o coronel Nelson de Mello planejou o ataque a Fornovo di Taro, mobilizando três batalhões da FEB, auxiliados por uma companhia de blindados do exército estadunidense e uma brigada de partisans da Resistência Italiana.
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O ataque teve início no dia 28 de abril. Após o bloquear as possíveis saídas, a FEB lançou a ofensiva principal, coordenada pelo major Carlos Gross, que avançou com suas tropas pelo sul, encontrando violenta resistência.
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Paralelamente, o 3º Batalhão, dirigido pelo major Silvino Castor da Nóbrega, e o Esquadrão de Reconhecimento, liderado pelo capitão Plínio Pitaluga, atacaram pelo sudoeste. A cidade foi cercada e a artilharia passou a bombardear as posições alemãs.
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Os soldados nazistas revidaram com disparos de canhão, mas os pracinhas conseguiram neutralizar todas as tentativas de romper o cerco.
À medida em que em a batalha se estendia, os alemães se conscientizaram da impossibilidade da vitória.
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Cercados, desfalcados e quase sem munição, os alemães aceitaram negociar a rendição. A mediação foi feita pelo padre Dom Alessandro Cavalli, vigário de Neviano De' Rossi, que apresentou aos alemães o ultimato escrito pelo coronel Nelson de Mello.
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"Para poupar sacrifícios inúteis de vidas, intimo-vos a render-vos incondicionalmente ao comando das tropas regulares do Exército Brasileiro, que estão prontas para vos atacar. Estais completamente cercados e impossibilitados de qualquer retirada", dizia o documento."
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Os alemães protelaram a decisão por várias horas, mas aceitaram a rendição incondicional no dia 29 de abril, encerrando a batalha. Cinco soldados brasileiros foram mortos no embate e outros 50 ficaram feridos.
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Foram capturados 14.779 militares do Eixo, a maioria provenientes da 148ª Divisão de Infantaria Alemã, bem como combatentes italianos da Divisão Bersaglieri, leais à "República de Salò", do já finado Benito Mussolini.
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Os feridos foram encaminhados para tratamento médico e os demais foram despachados para os campos de prisioneiros de Modena e Florença. Os pracinhas também apreenderam mais de 2.500 veículos, 4.000 cavalos, 80 canhões e um montante de seis milhões de liras.
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No dia 30 de abril, o general Otto Fretter Pico, comandante da divisão alemã, e outros 31 oficiais do estado-maior também se renderam aos brasileiros.
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Assim, a FEB encerrava com chave de ouro sua participação na Segunda Guerra Mundial — subjugando alguns dos mais experientes oficiais nazistas e forçando uma divisão alemã inteira à rendição.
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Lembrando que a FEB não era uma unidade convencional do exército. Era uma força militar que congregava muitos militantes antifascistas e comunistas e que incomodava os oficiais ao ponto de ser desmobilizada logo após o retorno ao Brasil. + info nesse fio:

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