Faleceu hoje a atriz Aracy Balabanian. Destacada por seu talento e versatilidade, Aracy atuou em obras notáveis no teatro e na televisão, abrangendo da comédia ao drama, e deu vida a alguns dos personagens mais carismáticos da teledramaturgia brasileira. 1/22
Nascida em 22 de fevereiro de 1940, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Aracy era filha dos imigrantes armênios Esther e Rafael Balabanian. Seus pais vieram pro Brasil durante a Primeira Guerra Mundial, fugindo dos massacres étnicos perpetrados pelo Império Otomano. 2/22
Aracy mudou-se pra São Paulo na adolescência, a fim de dar continuidade aos estudos. Na capital paulista, teve seu primeiro contato com o teatro, encantando-se ao assistir uma peça encenada pela atriz Maria Della Costa. 3/22
Concluiu o ensino básico no Colégio Bandeirantes, ingressando em seguida no curso de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP). Em paralelo, matriculou-se na Escola de Arte Dramática (EAD), onde deu vazão ao gosto pela arte dos palcos. 4/22
Aracy abandonou o curso de Ciências Sociais no terceiro ano, mas seguiu estudando artes cênicas. Obteve nota máxima na peça de formatura, interpretando Lady Macbeth, na tragédia "Macbeth", de William Shakespeare. 5/22
Ingressou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) em 1963, atuando na peça "Os Ossos do Barão", de Jorge Andrade. A montagem foi um sucesso de crítica e de público, angariando 120 mil espectadores e somando mais de 500 apresentações. 6/22
Aracy iniciou sua carreira na televisão em 1964 com a novela "Marcados pelo Amor", exibida pela TV Record. Em seguida, transferiu-se para a TV Tupi, onde estreou com a montagem de "Antígona", tragédia grega de Sófocles. 7/22
Convertida em uma das grandes estrelas da "era de ouro" da TV Tupi, Aracy trabalhou em alguns dos seriados e novelas de maior sucesso dos anos 60, tais como "O Amor Tem Cara de Mulher", "Nino, o Italianinho" e "A Fábrica. 8/22
Também interpretou Heloísa Albuquerque na novela "Antônio Maria", onde contracenou com Sérgio Cardoso — fato que ajudou a quebrar a resistência do pai, grande fã do ator, à sua carreira televisiva. 9/22
No Teatro de Arena, Aracy atuou em "Primeira Feira Paulista de Opinião", peça de Augusto Boal criticando a repressão da ditadura militar e exortando a desobediência civil contra o regime. No ano seguinte, participou da montagem do musical "Hair", dirigido por Ademar Guerra 10/22
Em 1972, aceitou o convite da Rede Globo para integrar o elenco de "Vila Sésamo", clássico da programação infantil produzido em parceria com a TV Cultura. Participou do programa por dois anos. Em 1975, estreou no cinema com "A Primeira Viagem". 11/22
Aracy se consolidou como uma das atrizes mais prolíficas da teledramaturgia brasileira, atuando em dezenas de novelas. Nos anos 70, viveu a protagonista Tereza Rodrigues em "Corrida do Ouro", a Giovana de "Primeiro Amor" e a Violeta de "O Casarão". 12/22
Na década seguinte, fez uma participação especial como Greta em "Guerra dos Sexos", interpretou a iludida Maria-Faz-Favor em "Coração Alado", a mimada Helena de "Elas por Elas", a insidiosa Marta de "Ti-Ti-Ti" e a misteriosa Maria Fromet de "Que Rei Sou Eu?". 13/22
A atriz também se engajou politicamente, lutando em prol do reconhecimento internacional do Genocídio Armênio, apoiando o movimento pela redemocratização do Brasil e participando da campanha de Lula à presidência em 1989. 14/22
Em 1990, Aracy interpretou um de seus maiores sucessos: a excêntrica e divertida Dona Armênia, em "Rainha da Sucata", papel que lhe consagrou como atriz de comédia — e popularizou o bordão "na chon!". 15/22
A personagem se tornou tão querida pelo público que o autor da novela, Silvio de Abreu, a incluiu na trama do folhetim "Deus Nos Acuda", lançado em 1992. 16/22
Outro trabalho de destaque ocorreu em 1995, quando Aracy interpretou Filomena Ferreto, a matriarca autoritária de "A Próxima Vítima", também de Sílvio de Abreu. A atuação lhe rendeu o Troféu de Melhor Atriz concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). 17/22
Retornou ao cinema ainda em 1995, com o filme "Policarpo Quaresma, Herói do Brasil". Ainda nos anos 90, Aracy se destacou no humorístico "Sai de Baixo", de Luis Gustavo e Daniel Filho, interpretando Cassandra Mathias Sayão, uma socialite falida do Largo do Arouche. 18/22
Produzido em formato de teleteatro, o programa fez grande sucesso, sendo prolongado por oito temporadas. No teatro, interpretou Clarice Lispector no espetáculo "Clarice, Coração Selvagem", de Maria Lucya de Lima. 19/22
Na televisão, seguiu trabalhando em várias novelas e seriados, tais como "Sabor da Paixão", "Da Cor do Pecado", "A Lua Me Disse", "Passione", "Cheias de Charme", "Saramandaia", "Geração Brasil" e "Queridos Amigos". 20/22
Em 2018, Aracy assinou e promoveu o manifesto "Armênios Pela Democracia", posicionando-se contra a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil. Em 2019, fez seu último trabalho — o filme "Sai de Baixo", dirigido por Miguel Falabella. 21/22
Foi premiada com o Troféu Mário Lago pelo conjunto da obra e homenageada por sua carreira honorária com o Prêmio CinEuphoria. Faleceu em 7 de agosto de 2023, aos 83 anos de idade, após ser diagnosticada com câncer de pulmão. 22/22